[[legacy_image_17237]] O mercado editorial vem se organizando em campanhas para ajudar livrarias, editoras e autores independentes a sair da crise setorial que se agravou com a pandemia de covid-19. Uma das iniciativas tem sido a de campanhas de financiamento coletivo. A +Livros, por exemplo, tem apoio de grandes editoras, e se propõe a criar um fundo de incentivo para aqueles que tiveram os pequenos negócios ligados às publicações afetados. Até julho, quando se encerrou o cadastro para beneficiários, haviam 689 inscritos no projeto, sendo que cinco deles são de Santos (uma editora, uma livraria e três autores). O projeto não divulga o nome dos inscritos até o final da seleção. Para participar, o interessado entra no site (clique aqui) e pode escolher doar a partir de R\$ 15,00. Dependendo do valor, o doador pode escolher uma recompensa, como e-books, cupons de desconto e mentorias profissionais. Até quinta-feira, a iniciativa já havia arrecadado R\$ 468 mil, o que seria suficiente para beneficiar 90 inscritos. O projeto segue recebendo as doações até quarta-feira. Quanto mais empresas e pessoas físicas participarem, mais autores, editoras e livrarias serão contemplados. A cada R\$ 100 mil, o +Livros beneficia 20 pessoas e microempresas do mundo do livro. Para a escritora santista Claudia Lemes, que integra o corpo técnico responsável pelas avaliações dos inscritos na campanha, a importância da iniciativa vai além dos recursos financeiros. “Avaliamos o que eles querem com esse auxilio, mas tendo como principal critério, no que eles querem transformá-lo”, diz ela, ao explicar que a plataforma de financiamento coletivo Catarse dá algumas formas objetivas de como os beneficiários podem usar a verba. “É possível, entre elas, transformar o catálogo dela em ebook ou audiobook, investir em cursos profissionalizantes, ações de divulgação e newsletter, e até desenvolverem um canal no YouTube, apostar em campanhas de financiamento coletivo e abrir suas lojas online”, lista Claudia. “Tem recompensas para todos os bolsos. Se quiser ajudar com muito pouco, já consegue fazer a diferença e beneficiar mais gente. Não é só uma questão de auxiliar com grana. É auxiliar com o incentivo. Mesmo neste momento, no Brasil, onde temos poucos leitores, tem muita gente que ama livro e estão dispostas a ajudar”, acredita ela. Outra campanha A Câmara Brasileira do Livro (CBL) também está com um projeto semelhante. É o Retomada das Livrarias, criado para apoiar pequenos livreiros. Nesta semana, foram anunciadas as 53 livrarias selecionadas para receberem o dinheiro que está sendo arrecadado pela plataforma Kickante. O projeto continuará recebendo doações até 31 de agosto e hoje já soma R\$ 356 mil. O objetivo é chegar em R\$ 530 mil para que cada uma dessas livrarias receba R\$ 10 mil. “Acho que são importantes, as livrarias precisam ser valorizadas, mantidas a qualquer custo. Sem as livrarias os leitores ficam sem referências na paisagem urbana. Nesse raciocínio acaba também a memória do livro, do ato de ler”, afirma o livreiro santista José Luiz Tahan. Ele se inscreveu nas duas campanhas. Na da CBL, ele não chegou a ser selecionado e aguarda o resultado da +Livros.