[[legacy_image_173645]] A fé move montanhas. A célebre frase já passou pela cabeça – e pelo coração – de muita gente em momentos de aflição ou desesperança. Porém, muito mais do que um consolo espiritual, ela é uma expressão da realidade. Ao menos é o que postula o mestre em Ciências da Religião Jairo Chaves, em seu livro O Poder da Fé (Literare Books). “Há um grande poder transformador na religião, ela educa: é a estrada por onde caminhamos. Porém, o final sempre será a fé”, analisa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Fruto dos estudos do autor em Ciências da Religião, o livro foi concebido e criado na pandemia e, indo além do dogma, explora o lado místico das religiões. No catolicismo, por exemplo, cita o ramo carismático, que utiliza técnicas para o transe e a transcendência. Em síntese, a obra reúne dados e narrativas sobre acontecimentos cuja explicação não é possível pela racionalidade. “O livro mostra a ação ao longo da História do sobrenatural, do sagrado, na vida das pessoas que creem”, explica Jairo. O acesso a esse dito sobrenatural é não só a consequência da fé, mas também o seu pilar. E a ciência já tem evidências de que abraçar esse pilar na alma pode ser muito benéfico ao corpo. EspiritualidadeEm 2020, a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo publicou um documento com 368 referências a estudos internacionais sobre a relevância da espiritualidade e de atributos como a compaixão e o perdão no tratamento de doenças. A ideia é que a abordagem médica contemple também esses fatores na hora de traçar um perfil de paciente ou diagnóstico. Um dos estudos mencionados nesse documento foi realizado pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com cristãos. O resultado é que ir à igreja ao menos uma vez por semana pode reduzir a mortalidade de 20% a 30% em um período de até 15 anos. Nesse aspecto, o ponto-chave para explicar o papel da fé na saúde está ligado ao modo de encarar a vida. “Não é milagre ou intervenção divina, a fé é um estado de espírito que conecta ao sagrado. Acredito que essas pessoas têm mais recursos psicológicos e internos para lidar com a doença. Os médicos chamam isso de coping: a capacidade humana de superar adversidades. Um segredo que determina quem sobrevive, daquele que morre”, escreve Jairo no livro. Treino da féMas a fé e a necessidade de conexão com o sagrado são atributos humanos, independentemente da religião. Aliás, as religiões, como instituições sociais, nasceram como expressão cultural dessa necessidade. “As pessoas estão no templo, no centro, na igreja, no terreiro, mas nem sempre conseguem se relacionar com uma potência espiritual”, pondera Jairo. Nesse sentido, e em consonância com o estudo de Harvard, por exemplo, o que faz a diferença é a atitude religiosa individual. Assim, é possível exercitar uma postura de fé mesmo sem professar uma religião constituída – mais ou menos como quem vai à academia fortalecer os músculos. Jairo explica que, ao acordar, o primeiro pensamento deve ser voltado a essa conexão com o sagrado. “Comece o dia orando, meditando, trabalhando a potência da fé, que nos coloca em uma frequência elevada. São 10 minutos para conversar com Deus ou com uma energia superior”. Esse ritual deve ser repetido no meio do dia e antes de dormir. Jairo faz uma ressalva. “Orar não é rezar: na reza, repete-se uma fórmula; a oração é pessoal, para se abrir com Deus”.