[[legacy_image_184820]] O carioca Wagner de Assis possui na sua filmografia títulos como Nosso Lar e A Cartomante e também muitos documentários. Homenageado do Festival Santos Film Fest, Wagner terá vários de seus filmes e docs exibidos na mostra, em uma reunião de seu trabalho. “Ver o conjunto dos projetos reunidos também é ver evolução, um pouco das escolhas que fazem parte da nossa vida”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como é receber uma homenagem junto a uma retrospectiva de seus filmes? Homenagens sempre são motivo de gratidão. Essa é especial porque, pela primeira vez, eu posso olhar para trás um pouco e ver a trajetória percorrida. Fiz contas pela primeira vez na carreira e contabilizei que estou há 25 anos no mercado (minha produtora foi criada em 1997), há 20 anos comecei a dirigir (com A Cartomante) e não parei desde então de fazer e procurar melhorar e acertar. Assim, ver o conjunto dos projetos reunidos também é ver evolução, um pouco das escolhas que fazem parte da nossa vida, ver como conseguimos sobreviver de cultura e cinema apesar das instabilidades que o nosso País proporciona. Em 2010, tivemos a única vez em que mais da metade das salas de cinema foram ocupadas por filmes brasileiros. Com Nosso Lar, Chico Xavier e Tropa 2. O que fazer para que tenhamos mais filmes nacionais em cartaz? Foi realmente uma notícia, um marco e indicava que poderíamos, sim, fomentar e estabelecer uma indústria pujante e crescente. Vimos também que o filme Nosso Lar tinha sido conceituado corretamente - uma história para todas as pessoas, apesar de nascer em uma obra ligada ao espiritismo. Os anos seguintes nos mostraram que aquele momento era, infelizmente, um ponto fora da curva. Tivemos outros blockbusters nacionais (como os filmes do Paulo Gustavo), mas não conseguimos manter o market share, por exemplo. A realidade agora vem com um ponto trágico em cima de outro: os últimos 3 anos e meio absolutamente inférteis e contrários a qualquer política audiovisual e os anos anteriores, que prometiam a ascenção dos meios de produção, jogados fora praticamente. Estamos num buraco do qual precisaremos de muito esforço, trabalho, talento, inteligência, políticas de Estado, força da sociedade privada, voto e sabe-se lá o que mais para sair dele. Mas, de uma coisa sabemos: precisamos de apoio porque cinema é para ser feito com política de Estado e não de governo. Precisamos de leis que regulem a ascenção das novas tecnologias. Precisamos ajudar a iniciativa privada a entender que cinema é uma indústria muito rica e rentável. E, então, certamente teremos muitos filmes nas telas novamente. Podemos ver isso com a quantidade de produtos nacionais que chegam aos streamings mensalmente. Fale um poucos dos filmes inéditos que serão exibidos no festival. Muito bacana ver os filmes documentários serem inseridos nesta mostra. Eu sou jornalista de formação também e o desejo de produzir documentários é antigo. Assim, temos um line-up grande de projetos. Cidade Maravilhosa, por exemplo, é inédito: um filme que vai a fundo pela primeira vez nas raízes de uma cidade como o Rio de Janeiro. Que narra, do ponto de vista de indígenas, mas também vendo as ações de portugueses e franceses, as bases que ajudaram a formatar o que hoje é o Rio.