(Eduardo Nicolau/Estadão Conteúdo) “E no final, o amor que você leva é igual ao amor que você faz”, já diz a canção The End, do álbum Abbey Road, dos Beatles. Pois foi sobretudo com amor que nasceu o livro Paul McCartney no Brasil (Garota FM Books), do músico e jornalista Leandro Souto Maior – um compilado de curiosidades e bastidores das 10 vezes em o ex-beatle esteve no Brasil. “Muitas das histórias estavam pela internet, mas nunca reunidas em um lugar só. Fora as que eu consegui, inéditas, ao longo das entrevistas”, relata Leandro, que não esconde a tietagem: “O Paul faz parte da banda que eu mais admiro, que mais me emociona, que eu acho mais incrível”. É amor que se diz? Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A ideia para o livro surgiu logo após o término da obra anterior de Leandro, de 2022, sobre a época em que Jimmy Page morou no Brasil. O guitarrista da banda Led Zeppelin mudou de mala e cuia para Lençóis, interior da Bahia, onde viveu entre 1994 e 2008, após casar com uma americana radicada no País. “Fiquei entusiasmado em fazer um novo livro nos mesmos moldes”, conta. “Comecei a imaginar outros artistas internacionais do primeiro escalão, acabei chegando no Paul, que tem uma ligação significativa com o Brasil. Ele até fez uma música para cá, Back in Brazil”. Não é para menos: Paul tem uma relação estreita e carinhosa com o País. Desde 1990, até o dia 19 de outubro deste ano, quando pisar na Arena Ressacada, em Florianópolis, Paul terá feito incríveis 39 apresentações em solo brasileiro. De 2010 para cá, depois dos Estados Unidos, o Brasil foi o país onde mais vezes o ex-beatle pisou em um palco. E após tantas visitas, histórias não faltam. Vamos a elas? Paul salvou uma vida O livro cobre os 36 shows no Brasil – sem contar, claro, os que ainda fará mês que vem (veja ao lado) –, cada um deles, em um capítulo, com a data, o lugar, o set list da apresentação, o público presente. Das histórias, há as mais conhecidas desde a tentativa de andar de bicicleta incógnito no Aterro do Flamengo, no Rio – malograda –, em 1990, às inéditas até aqui. A primeira delas, também de 1990, envolve a concessão a Paul de um prêmio pelo ativismo ecológico, pela ONG Friends of the Earth. Segundo Leandro descreve, a intérprete do músico à época, a antropóloga May Waddington, disse que Paul queria realizar uma cerimônia de entrega para o prêmio ter mais expressão e levantar o interesse pela causa da Amazônia. Paul teria sugerido até consultar o presidente da República para que ele eventualmente entregasse o prêmio. Como na época o mandatário era Fernando Collor, mudou-se de ideia. “Então a May sugeriu que o coordenador do Conselho Nacional dos Seringueiros, Antonio Macedo, que estava ameaçado de morte no Acre, entregasse o prêmio”, conta Leandro. “Ela diz que depois das reportagens da entrega do prêmio saírem, com toda a repercussão, desistiram de matá-lo”. Salvar uma vida está acima de qualquer coisa. Mas na passagem de 1990, o músico também bateu um recorde pessoal: as 184 mil pessoas no Maracanã ainda constituem o seu maior público em uma única apresentação. Chave do camarim e Samuel Rosa Em 2010, a história foi mais prosaica, mas teve um herói: Ivan ‘Cabeça’. Chaveiro, com a ‘firma’ nos arredores do estádio do Morumbi, em São Paulo, foi chamado às pressas para abrir o camarim de Paul, cuja chave havia quebrado na fechadura. “Ele acabou sendo convidado para assistir o show, com comes e bebes no camarim”. O prefácio do livro é escrito por Samuel Rosa – já a orelha é de Pedro Bial. O ex-vocalista do Skank, inclusive, tem uma história peculiar ‘de bastidor’. Ele narra que, em 2013, recebeu a ligação de uma amiga de Belo Horizonte, dizendo que ela estava na produção que traria Paul McCartney mais uma vez ao Brasil. Como ela sabia que Samuel era fã confesso dos Beatles, o primeiro pensamento dele foi que ela o convidaria para conhecer Paul e já preparava uma resposta negativa. “Ele não queria encontrar o Paul, pois temia alguma atitude pessoal dele, que maculasse a aura de quase santo...”. Samuel estava enganado: a amiga queria que ele intercedesse com a diretoria do Cruzeiro, seu time do coração, para liberar o estádio do Mineirão, pois a única data possível para o show coincidia com uma partida da Raposa. Frente a frente Morando em Visconde de Mauá, no Rio, onde é sócio do bar-museu Casa Beatles e guitarrista da banda Os Trutas, Leandro não titubeia: ao contrário de Samuel Rosa, toparia, sim, encontrar-se com o ídolo. “Eu iria ficar muito emocionado”. Mas o que diria? “Uma vez, fui ver um show do Erasmo (Carlos). Conhecia alguns músicos da banda, acabou que consegui ir ao camarim. De repente, dou de cara com ele, que cumprimenta todo mundo, e eu estático, nervoso, só consegui dizer ‘obrigado por existir’. É o mínimo que poderia dizer ao Paul: obrigado por existir e ter feito a diferença na minha vida e de tanta gente”. Shows Em 1990, Paul McCartney veio pela primeira vez ao Brasil, para um único show no Maracanã, no Rio. Em 1993, foram dois shows, em São Paulo, no Pacaembu, e em Curitiba, na pedreira Paulo Leminsky. Depois, só voltou em 2010, para um show em Porto Alegre e dois em São Paulo. Em 2011, fez dois shows no Rio de Janeiro. Já em 2012, Paul estreou em Recife, com dois shows, e em Florianópolis. Um ano depois, mais estreias brasileiras: Belo Horizonte, Goiânia e Fortaleza. Em 2014, voltou a São Paulo (onde fez o primeiro show do recém-inaugurado Allianz Parque) e debutou em Brasília e no Espírito Santo, com show em Cariacica. Em 2017, foram mais três shows: São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. Em 2019, foram dois shows em São Paulo e um em Curitiba. No ano passado, visitou cinco cidades: Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. E este ano, dias 15 e 16 de outubro, apresenta-se no Allianz Parque, em São Paulo, e dia 19 na Ressacada, em Florianópolis. Para o dia 16, ainda há ingressos à venda no site.