[[legacy_image_290956]] É difícil classificar a obra de Adilson Zambaldi, Tronco da Canoa, que nem foi lançada no Brasil, mas já chega como vencedora do 21º Salão Internacional de Arte Contemporânea, de Madri, na Espanha. Lançamento da editora Reformatório, a publicação faz um retrato singular das mais de 90 praias de Ubatuba, no Litoral Norte, e chega nos próximos dias às livrarias. À primeira vista, a ideia é de um livro com fotos ou ilustrações, já que o cenário é farto de belas imagens, mas não. Zambaldi ousadamente prescindiu desse recurso para que as palavras descrevessem melhor do que qualquer imagem. Para cada praia, uma página de um texto curto, despretensioso e suficiente para transportar o leitor a um universo de costumes, crenças, cenários e cenas, folclore e história que esse recorte da natureza guarda. Guapuruvu, ingá flecha, banana-de-são-tomé, pinguim-de-magalhães, guaiamu, bivalve, saíra-sete-cores, caxinguelê, tiê-sangue. Quem não vive nesse universo talvez não saiba que saíra-sete-cores é uma ave de cores belíssimas, assim como o tiê-sangue e seu vermelho exuberante, ou que o guapuruvu é uma árvore nativa, de madeira macia, boa para fazer canoas. Outra ousadia do escritor, filho de Ubatuba, é o léxico regional. Quem lê Tronco de Canoa descobre que está imerso em um universo literário raro. “Minha proposta inicial era realmente transgredir a fronteira entre os gêneros breves. A geografia do local me levou a isso. É uma região com diversos microterritórios. E uma imagem ou ilustração dos lugares poderia tirar a potência imagética dos textos. Sou um escritor iniciante, me permito um pouco de ousadia”, comenta Adilson, filho de Ubatuba que viveu a infância aproveitando essa natureza até deixar a cidade para cursar e se formar em Comunicação Social.