Foto ilustrativa (Pixabay) As festas de fim de ano, como Natal e Ano Novo, estão cada vez mais próximas. Muitas pessoas, ao comemorarem essas datas, acabam exagerando no consumo de bebidas alcoólicas, principalmente na cerveja. Para se ter noção, a quinta edição do levantamento do Centro de Informações sobre Saúde do Álcool (Cisa), publicado em julho de 2023, mostrou que 45% dos brasileiros ingerem bebida alcoólica em festas, eventos sociais e até mesmo em casa. Além disso, aproximadamente 20% consomem uma vez por semana ou a cada 15 dias, 14% uma vez por semana ou menos, 7% de duas a quatro vezes por semana e apenas 3% bebe cinco vezes ou mais. A Tribuna conversou com uma especialista que falou sobre os males da bebida e os cuidados que se deve ter. A nutricionista clínica e integrativa de Santos, Angelica Croccia, que atua há mais de 25 anos na área, explicou que esses tipos de bebidas podem fazer mal em algumas circunstâncias. “Falando de bebida com base alcoólica, de uma maneira geral, se consumida em excesso, pode causar grandes problemas ao organismo, como por exemplo: gastrite, que é uma irritação um pouco mais severa da mucosa estomacal, podendo gerar até mesmo outros problemas de estômago, de intestino; obesidade; aumento da pressão arterial; problemas cardiovasculares bem como cirrose, alguns tipos de hepatite, distúrbios do sistema nervoso e vários danos, principalmente ao fígado, ao coração e ao pâncreas”, afirmou. Segundo ela, deve-se ter cuidado e não consumir a bebida em excesso. "Quando a gente fala em excesso é não passar de duas doses por semana, mas a pessoa também tem que ter uma rotina saudável, porque essas duas doses, se a pessoa também consumir vários alimentos inadequados com muita gordura e excesso de açúcar, também vai ter um impacto”, explicou. O ideal, segundo Angelica, é que a pessoa tenha uma rotina de exercícios e rotina alimentar saudável, por exemplo: com vegetais, frutas e principalmente com uma boa ingestão de água. “Pelo menos, vamos falar aí de 35 ml (de água) por quilo de peso por dia. Quando tomar aquela cervejinha, ainda aumentar mais meio litro de água”. Estufamento Além do álcool, a cerveja contém também uma grande quantidade de carboidrato e o glúten. Por conta disso, a nutricionista explicou que ela pode trazer uma sensação de ‘estufamento’, também ocasionado pela adição do gás carbônico. "Esses transtornos gastrointestinais podem gerar uma disbiose, que seria o desequilíbrio da microbioma intestinal, ocasionando diversos problemas, até mesmo uma inflamação no intestino. Como eu já falei do estômago, o intestino também pode inflamar e trazer muitos problemas de absorção”, explicou. Pode levar à morte? De acordo com a Angelica, o consumo inadequado da cerveja pode levar a morte. “Os efeitos do álcool são extremamente prejudiciais para todo organismo. Não podemos deixar de levar em consideração a saúde mental, os transtornos psicológicos e os psíquicos. Então, não é só saúde física, é a saúde mental também. Com o uso em excesso e prolongado de bebida alcoólica, podemos considerar que a cerveja pode levar a doenças bem sérias, como cirrose, hepatite, problemas cardiovasculares, bem como os do pâncreas. Podem levar à morte sim, se evoluírem sem tratamento adequado”. A cerveja tem benefícios? A nutricionista disse que não consegue verificar benefícios no consumo de bebida alcoólica, considerando que a cerveja tradicionalmente é rica em glúten. Mesmo assim, ela disse que a bebida pode trazer algumas ‘coisas boas’ para as pessoas que a consumirem. “Caso seja com moderação, acredito ser muito importante, principalmente para a saúde mental. Porque ela é uma forma de você sociabilizar, de você ficar menos estressado, dar aquela relaxada. Existem alguns estudos que falam dos benefícios do lúpulo, porém o álcool, realmente, ele associado é muito complicado. Então quem puder optar para essa questão da sociabilização e do relaxamento por uma cerveja sem glúten, sem álcool, seria o ideal”, afirmou. Os ingredientes Os principais ingredientes da cerveja são água, malte, lúpulo e fermento. Esse último é chamado de levedura. "O consumo de levedura frequente é muito positivo, porque ajuda muito na nossa microbioma intestinal. Porém, toda a composição da cerveja, a quantidade de carboidrato que ela tem e a quantidade de álcool, realmente aí não é uma bebida que eu indicaria para a pessoa consumir. Eu acredito que uma bebida tipo vinho seria muito mais indicada”, contou. Tratamento Por fim, a nutricionista disse que já atendeu pacientes que tiveram problemas devido à alta ou frequente ingestão de cerveja. ‘É resolvido com tratamento nutricional, trazendo, inicialmente, esse paciente para o controle de consumo. O ideal é que essa pessoa restrinja a, pelo menos, de três a seis meses para poder fazer uma limpeza hepática, através da boa alimentação e de alguns fitoterápicos também que nós somamos”, explicou. Além disso, ela indica a boa hidratação, pois, segundo ela, "é fundamental até mesmo para fazer a limpeza de fígado, do intestino e poder recuperar esse fígado que foi lesionado pelo alto consumo de bebida alcoólica". “Nós sabemos que tem vários alimentos, casos da couve, do gengibre e do abacaxi, que ajudam muito nesse processo de destoxificação, para poder fazer a limpeza e regenerar os órgãos que são afetados pelo autoconsumo de álcool”.