[[legacy_image_343765]] Uma obra eclética, com muita mistura e cara de Brasil, sem fronteiras, com todos os credos, cores e ritmos. Assim é Grito, Beat & Poesia, primeiro álbum da cantora vicentina Maria Sil, que já está nas plataformas digitais. Produzido pelo DJ Cuco, o álbum traz onze canções autorais, que transitam do funk pop ao ijexá (música ritualística africana, especialmente da Nigéria), do rap ao samba de roda – tudo para remeter à mesma origem negra, periférica, e por isso tão vital para descrever o que também é o Brasil, no que nele há de pior e melhor. E por mais paradoxal que seja, de celebrar a esperança, em meio a ondas de barbárie. “É o começo de um ciclo. Um trabalho autoral, independente, distribuído por um selo parceiro, que traz novas sonoridades e avança por um território que abriga com mais naturalidade minhas histórias. Afinal, cada uma de nós que permanece viva é uma vitória. E não podemos abrir mão de celebrar isso”, resume Maria Sil. Por vezes, como narradora de cenas que já vivenciou ou idealiza – e, em outras, como protagonista, a artista trans versa sobre ancestralidade, autoestima e amor livre, mas também impõe seu olhar crítico sobre a injustiça social, a violência contra as minorias, o preconceito e a discriminação em suas diversas formas. Reflete, ainda, sobre a jornada de artistas independentes em meio às dificuldades impostas pela indústria e superando seus próprios medos e incertezas. “Network, streams/Relações para poder lançar os hits/Prisões, correntes/Ganhar uns kits de uma marca/Que não sabe o que passa na tua mente”, provoca o refrão de Na Tua Mente, música de trabalho do álbum. "Sou uma boa contadora de histórias através da música", prossegue, atribuindo a alternância entre temas mais leves e densos a um movimento natural de sua carreira como artista e compositora. “Penso que a poesia está também aos olhos de quem vê. Para mim, uma música como Estilosa, divertida, que trata o amor como algo livre, sensível, é tão política e poética quanto Bala Na Garganta ou Tapetes de Luxo, por exemplo, que abordam questões como a execução das populações periféricas no Brasil”, compara. Quem éNascida em São Vicente, Maria Sil é cantora, produtora cultural, atriz e ativista social. Como cantora, tem dez singles lançados, além dos EPs Húmus (2017) e A Carne A Língua e o Vírus (2019), apresentado em shows no Sesc Pompeia, na Capital, e no Sesc Santos – aonde retorna no próximo dia 27, para novo show, apresentando as canções de Grito, Beat e Poesia. Recentemente teve músicas incluídas em obras audiovisuais de diretores como Gustavo Vinagre e Day Rodrigues.