[[legacy_image_18815]] Compositor, cantor, multi-instrumentista, escritor. O que não falta é habilidade artística para André Abujamra, de 55 anos, que acaba de lançar um novo álbum, Emidoinã, e de estrear como autor de literatura infantil, com Robô Não Solta Pum. “Se me chamarem para fazer balé, eu faço”, brinca ele, que conversou por videoconferência com A Tribuna, na última semana, direto do confinamento em um quarto de hotel, no Uruguai, onde aguarda para começar as gravações de uma produção da Amazon. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! Por conta dos protocolos de segurança no país, mesmo com exames em dia, ele deve permanecer sem contato com ninguém até amanhã. “Até no lançamento do álbum eu estarei em isolamento. Aqui a coisa é levada muito a sério”, conta ele. O álbum Emidoinã – Alma de Fogo faz parte de um projeto de cinco álbuns que apresentam os elementos da natureza como protagonistas. O primeiro, Omindá – A União das Almas do Mundo pelas Águas, foi lançado em 2018. A ideia inicial surgiu há 12 anos, durante uma viagem à Grécia, onde André escreveu uma poesia sobre o fogo. “Foi um negócio pesado, forte de transformação. O fogo mata tudo, menos o amor. O amor come o fogo para matar o que importa”. O trabalho conta com 13 faixas com participações como as de Théo Werneck, Maria Medeiros, Antonio Capelo, Marisa Brito, Pedro Luis, Chico Cesar, Criolo, BNegão e Russo Passapusso. Todos os instrumentos do álbum foram tocados pelo próprio Abujamra. As músicas estão disponíveis no canal do YouTube do artista. Enquanto produzia o disco, no início deste ano, a pandemia de covid-19 fez com que a proposta tivesse de ser alterada e o álbum acabou virando a trilha sonora de uma animação, assinada por Luciano Lagares (também responsável pela capa do disco), ainda sem previsão de lançamento. A produção conta com nomes como Rodrigo Santoro, Julia Lemmertz e Camila Pitanga. No que depender dos álbuns que envolvem os elementos da natureza, o músico tem planos até 2026. “Se estiver vivo até lá”, dispara. A cada dois anos, ele pretende lançar um trabalho desse projeto. O próximo será Lejôodara – O Ar da Existência, previsto para 2022. “Vai ser muito alegre. Esse de 2020 é mais pesado, visceral, falando do amor e dos danos causados pelo fogo, como o período que estamos passando. Eu sou o Abustradamus”, diz ele, numa referência às profecias de Nostradamus e também ao personagem que ele interpreta na websérie Sbørnia em Revista. Em 2024, o tema do projeto será o elemento terra. André ainda não definiu o título do trabalho, mas já conta com a participação da companhia de teatro Barca dos Corações Partidos. Na sequência, ele encerra a saga com um controvertido quinto elemento da natureza. Mais trabalhos Além desse projeto, para o próximo ano, ele pretende lançar o álbum com 30 músicas de outros artistas, como Paulinho Moska, Pato Fu e Zelia Duncan, no qual ele vai fazer tudo, desde a interpretação das canções até a mixagem. O trabalho deve se chamar Duzoutroz. Em meio à produção musical, que também envolve a criação de trilhas sonoras para desenhos, séries e filmes e parcerias com outros músicos, Abujamra segue atuando. Ele adianta que deve fazer um longa na Netflix, além de interpretar um vilão que tenta roubar as ideias de Albert Einstein, numa produção da Amazon Prime. No próximo ano, ele também deve viver o apresentador Chacrinha na produção sobre a vida de Silvio Santos. Como ele consegue tempo para colocar a criatividade em prática? “Depois que inventaram a internet, temos tempo para tudo. E eu gosto muito de criar”, confessa o artista multifacetado. Livro sai do forno depois de 15 anos Um dos poucos projetos que estavam ausentes no currículo de André Abujamra, que tem mais de 40 anos como artista, não falta mais. Depois de 15 anos, ele traz a público seu primeiro livro infantil Robô Não Solta Pum (Saíra Editorial), escrito na época em que os filhos José e Pedro eram pequenos e mantido na gaveta. "Era uma época em que não conseguia dormir. Então, resolvi escrever um livro com essa minha cabeça abujamrica”, conta ele. A oportunidade de levar o conto para o público surgiu durante uma live. “O pessoal da Saíra estava participando e gostou da ideia. Mandei o livro por meio do WhatsApp para eles e logo me falaram que queriam lançar”, lembra o autor. O resultado é uma história que abre espaço para a imaginação, tanto de crianças quanto de adultos, dando significados divertidos aos tradicionais questionamentos dos pequenos aos temas do dia a dia, como a origem das palavras barbante e algodão-doce, e dicotomias, como o claro e o escuro, o céu e o mar. Isso tudo com o objetivo de ajudar a deixar a rotina mais leve com as ideias livres, para questionar sem medo e, até mesmo, bolar teorias próprias e mudar alguns conceitos. As ilustrações ficaram por conta da artista plástica Ana Paula Oliveira, que, na época, era cunhada de Abujamra e se inspirou em desenhos da filha Jade, usando diversas técnicas de desenho e colagem para formar as imagens. Para o título do livro, o autor trouxe a ideia óbvia para divertir os leitores. “A criançada começa a rir logo que ouve o título”. A obra de 32 páginas está à venda na Amazon, com preço de R\$ 21,00.