[[legacy_image_292406]] Muitas pessoas procuram estar na moda e, se for por um preço acessível, ainda melhor. O chamado fast fashion entra justamente aí. Trata-se de um conceito que surgiu na década de 1990, para suprir as necessidades dos consumidores impacientes e conectados com o universo da moda, produzindo coleções de forma rápida, constante e com baixo preço. No entanto, esse ritmo desenfreado e ágil tem causado grande impacto no meio ambiente, a ponto de contribuir com as mudanças climáticas, além de trazer efeitos adversos para a água, poluição química, perda de biodiversidade e reforçar o uso excessivo de recursos que não são recicláveis. A indústria da moda é a segunda mais poluidora do planeta. Ela fica atrás apenas da petrolífera. Levantamento da organização sem fins lucrativos Global Fashion Agenda, em 2022, aponta que mais de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram descartadas nos últimos anos. Segundo o estudo, a projeção é de um aumento de 140 milhões de toneladas de materiais descartados até 2030. Tendência que merece ser adotadaAlgo que está na moda nos dias atuais é ressignificar e reutilizar nossas roupas e acessórios. Fellipe Matheus de Jesus Santos, skatista e proprietário do Dude Brechó, diz que a moda sustentável, por meio do reaproveitamento de peças, é uma forma de ajudar o mundo. Sem falar que permite se vestir bem com roupas “mais exclusivas” e com preços acessíveis. “No geral, são peças produzidas anos atrás e que contam com uma excelente qualidade de material, algo que não se encontra com tanta facilidade hoje em dia, por conta do fast fashion. O que me chama bastante a atenção em roupas vintages são as cores, cortes e caimentos”, comenta. Com relação ao processo de descarte de roupas e seu impacto no meio ambiente, Santos conta que vê “muita gente comprando peças importadas de má qualidade e que se tornam descartáveis com facilidade, o que afeta diretamente a natureza, tanto pela produção excessiva quanto pelo descarte”. O empresário acrescenta que o melhor caminho para as grandes marcas é a criação de coleções limitadas. Custo socialA indústria do fast fashion também impacta negativamente a esfera social. Grande parte das grandes empresas terceiriza a sua produção, buscando minimizar os custos de mão de obra, o que, de quebra, causa efeitos nocivos para as comunidades envolvidas no processo. É o que mostra o documentário The True Cost, que em tradução para o português significa O Verdadeiro Custo. A obra do diretor Andrew Morgan alerta a sociedade a não ignorar os custos reais gerados pelo consumo do fast fashion, que tem preços desproporcionalmente baixos em comparação com a carga horária e as condições trabalhistas dos profissionais do setor. O documentário também destaca um dos maiores desastres já registrados no segmento: o desabamento do edifício Rana Plaza, em Savar (Bangladesh), que provocou a morte de mais de mil trabalhadores. No local, funcionavam confecções que produziam para grandes marcas. O longa ainda aborda os impactos ambientais gerados pela indústria da moda. Cuidados para manter as peças em diaPara quem vai comprar roupas em brechó, Fellipe Matheus de Jesus Santos, proprietário do Dude, observa que alguns fazem curadoria na internet. Ainda há os beneficentes, geralmente em igrejas, nos quais o dinheiro arrecadado é revertido para causas sociais. Santos também dá dicas de como cuidar, reutilizar e customizar roupas. Segundo ele, lavar peças a mão e não as jogar na máquina pode ajudar a conservá-las por mais tempo. “Normalmente, a gente pega a roupa e já coloca direto na lavadora. O sabão em pó desgasta, tira um pouco a cor. O ideal seria lavar com detergente ou sabão de coco. Eles agridem menos os materiais”. O empresário recomenda tingir as peças que já estão desbotadas por conta do tempo de uso. “Eu sempre andei de skate. Calça preta é o que normalmente o pessoal mais utiliza. Quando ela começa a perder um pouquinho a cor, a gente vai lá e tinge. É uma forma de aproveitar e manter aquela peça sempre bonita”. Sócia-proprietária do Do Meu Closet Para o Seu Closet, Adriana Bezerra Pinheiro toca o brechó junto com a filha, Rafaela Bezerra de Almeida. Ela dá outras orientações de como cuidar das roupas: “A moda sustentável diminui muito o impacto ambiental e está em alta. A melhor coisa é cuidar bem das roupas e acessórios. Atenção ao lavar peças delicadas. Guarde itens de qualidade em sacos separados. Se manchar a roupa, limpe na hora. Não esfregue as delicadas”.