(Adobe Stock) Ano novo, vida nova e você já está pensando em dar um up no corpo investindo mais na atividade física e na suplementação em 2025, certo? A resposta certa é: muito cuidado nessa hora! O uso indiscriminado de chá verde e de creatina, por exemplo, pode levar à falência aguda do fígado. O cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, de São Paulo, explica as complicações que alguns suplementos alimentares e chás podem causar em nosso corpo, especialmente no fígado Usados sem indicação médica, chás e suplementos alimentares podem resultar em problemas graves, como hepatite. A procura por uma rotina mais saudável tem sido uma tendência que se popularizou. Junto com esse interesse, o número de pessoas que consomem suplementos alimentares e produtos naturais aumentou significativamente. No entanto, médicos alertam que o uso contínuo e excessivo destes alimentos pode acarretar sérios riscos à saúde, especialmente ao fígado. A creatina, por exemplo, é utilizada como suplemento para melhorar o desempenho físico em atividades de alta intensidade. De acordo com Nacif, o uso excessivo dessa substância sem acompanhamento médico pode sobrecarregar o sistema renal. “Pessoas que excedem a quantidade de doses seguras costumam sofrer com desidratação e cãibras musculares persistentes”. Além dos efeitos no sistema renal, o abuso de creatina pode interferir no equilíbrio de eletrólitos no corpo, contribuindo para distúrbios metabólicos que exigem intervenção médica imediata. Já os chás verdes são conhecidos por suas propriedades antioxidantes e possíveis benefícios para a saúde. Mas acabam se tornando prejudiciais quando consumidos em excesso. “O alto teor de cafeína e a substância chamada caquetina, presente nos chás verdes, podem causar a morte de células no fígado. O perigo maior está quando a erva é consumida em cápsulas, pois não como saber a quantidade exata da substância tóxica nem a forma que ela foi manipulada. O consumo excessivo de chás verdes tem sido associado a complicações hepáticas em casos extremos”, afirma o especialista. O cirurgião gastrointestinal faz outro alerta importante: “Produtos ditos como naturais podem ter efeitos colaterais, assim como os remédios, se não forem usados de maneira correta. Os mais comuns são alterações das enzimas hepáticas, hepatites (agudas e crônicas), falência do fígado e até cirrose. As pessoas têm uma percepção errada de que tudo que é dito como natural é permitido e liberado, mas é fundamental que entendam os potenciais efeitos adversos de tudo que é consumido de maneira indiscriminada e se conscientizem dos sinais de alerta que o corpo pode enviar”. De acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia, mais de 30% dos casos de insuficiência aguda do fígado são causados por ervas naturais. O efeito colateral de plantas no órgão é chamado de hepatotoxicidade. O fígado é responsável por filtrar o sangue e eliminar as toxinas do corpo, mas, por conta do excesso do uso de chás e creatina, o fígado fica sobrecarregado e acaba lesionado. “Importante frisar que as lesões podem surgir tanto pelo uso prologando das substâncias quanto logo após a ingestão. Os sintomas mais comuns de intoxicação são dores de cabeça frequentes, enjoos, tontura, cor amarelada do glóbulo ocular, dor na região superior direita do abdômen e azia”, destaca Nacif. Ainda segundo o médico, chás verdes, carqueja e mata verde são ervas conhecidas na literatura médica como prejudicais ao fígado e, por isso, são cercados de cautela quanto à utilização. “Chá que desincham, chás detox e similares são conhecidos por serem hepatotóxicos, prejudicando o fígado, com potencial, inclusive, de levar à necessidade de um transplante hepático".