[[legacy_image_179833]] Os primeiros mil dias de vida de um bebê, que engloba os 270 dias da gestação e mais os dois primeiros anos, são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as mães alimentem exclusivamente seus bebês, durante os primeiros seis meses de vida, com leite materno, que é considerado, segundo pediatras e nutricionistas, o “padrão ouro” da alimentação infantil. Nessa fase, não é preciso oferecer nem água para a criança, porque a amamentação já hidrata o seu organismo. A partir dos seis meses de vida, a criança passa a receber a alimentação complementar, e o aleitamento deve ser mantido até os 2 anos de idade ou mais. É nessa fase que o pequeno começa a se familiarizar com os gostos e será exposto aos primeiros alimentos, com suas texturas, cores e sabores. “A forma como isso é conduzido será determinante na formação do paladar e na construção de hábitos alimentares saudáveis. Portanto, é a fase que requer mais atenção”, diz a nutricionista Camila Alves, de São Paulo. Segundo ela, a desinformação é ainda um grande obstáculo para o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis nos primeiros mil dias de vida. “Além de ser um momento de enorme vulnerabilidade para a criança, terá forte impacto na sua saúde a longo prazo. Crenças e tabus na alimentação infantil são frequentes e representam enormes obstáculos para uma introdução alimentar adequada, que terá potencial de minimizar o risco futuro de obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis”. Camila atribui à popularização das redes sociais e à influência das chamadas “mães influencers” a disseminação de informações equivocadas sobre a nutrição infantil. Ela ainda pontua que é preciso diferenciar as falas dos leigos nesse contexto – que partem da perspectiva de uma experiência com os seus filhos – das recomendações de nutricionistas materno-infantis, que contam com um caráter técnico e científico. “As atualizações feitas por leigos, baseadas em experiências pessoais, podem levar à negligência. Apenas profissionais da área da saúde podem avaliar o desenvolvimento infantil e estão capacitados para considerar quaisquer riscos nutricionais, podendo, por meio de orientações e prescrições, contorná-los”.