[[legacy_image_183461]] O Dia dos Namorados chegou e eu poderia escrever sobre romance, flores, jantar à luz de velas e declarações especiais. Mas não. O assunto é sexo, porque, mais uma vez, essa data mexe com milhares de mulheres, em especial da minha geração e das anteriores, por acreditarem que sexo é um “presente” a ser entregue a um homem. Que a lingerie sexy é apenas para despertar os desejos dele. Que a performance precisa atender ao prazer dele. Garotas, obrigação não rima com diversão – que é a real expressão de uma sexualidade vivida de forma saudável e boa para cada uma de nós e nossas parcerias. A vontade de conversar aqui sobre o tema veio depois de assistir, nesta semana, a uma live no canal do YouTube da escritora santista Adriana Pimenta, autora do livro Quando o Futuro Chegou e Encontrei um Pentelho Branco (Primavera Editorial). Ela convidou a ginecologista Carolina Ambrogini, especialista em sexualidade e criadora do Projeto Afrodite – Centro de Sexualidade Feminina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para um bate-papo libertador. Carolina compartilhou ideias que conferem uma dimensão bem diferente do que aprendemos sobre sexo, algo tão natural, mas cercado de mitos, tabus e moldado sob educações castradoras que atrapalharam muito a constituição da autoestima das mulheres. O primeiro ponto é o de que satisfação sexual envolve saúde emocional (80%). Estresse, cansaço e tristezas precisam ser cuidados para que o corpo se anime e responda a estímulos cerebrais. Logo, divã e pensar em sexo são fundamentais. Mas quem não aprendeu que pensar (o que dirá fazer!) sexo não é coisa de “moça direita”? Vamos virar essa chave? Conteúdo não falta para colocar a imaginação a serviço da libido. Há hoje uma vasta literatura erótica, assim como contos eróticos (inclusive em podcasts). Sem falar nas séries picantes disponíveis nos streamings. O pornô feminista está em alta! Não aquele pornô que coloca mulheres em situações degradantes e violentas. Pornô em que as mulheres têm todos os orgasmos que lhe são de direito. Vale pesquisar (dica preciosa) o trabalho da cineasta sueca Erika Lust. Ah, a troca de mensagens no WhatsApp não tem que ser só sobre trabalho e rotina... O estímulo mental é a ignição, e tem mais: passou da hora de as mulheres conhecerem o autoprazer. Só sabendo o que e como gostamos é possível dividir com nossas parcerias o que nos estimula e, claro, quais são os nossos limites. Eles existem e precisam ser respeitados. Traumas, abusos e medos mexem demais com a maneira como vivemos o sexo. Para isso, estão disponíveis terapias diversas, inclusive com o uso de acessórios e brinquedos sexuais. Não, não há nada de errado em utilizá-los. E se você chegou até aqui preocupada com pecado e coisas afins, sinceramente não dá para acreditar que a força que nos rege (e/ou a que cada um crê) está fazendo microgerenciamento das nossas descobertas íntimas. Finalmente, vamos falar dos relacionamentos. Sexo é troca. É dar prazer recebendo na mesma intensidade. É sobre histórias em que mágoas não imperam. Às vezes, achamos que o desejo sexual acabou, que o problema está na gente, inclusive fisiologicamente; que é o climatério, a menopausa ou os hormônios. Quando, na verdade, permanecemos em relações ruins, que já não fazem mais sentido nem têm base em respeito e admiração. Não há tesão que resista. Se ainda vale a pena, talvez possa ser resgatado. São muitos os cursos atualmente que ensinam casais a retomarem sintonias, caso queiram. O mais importante e que resume as reflexões trazidas por Carolina Ambrogini: sexualidade é sobre energia de vida. E sexo bom ao longo da vida também é sobre envelhecer bem. Nunca é tarde para o prazer. Com parceria ou adorando a si mesma. Sexo é transcendência e cura. Se não for assim, espero que, no próximo Dia dos Namorados, você esteja em uma gostosa solteirice feliz.