[[legacy_image_179888]] Os casos de infecção da também chamada varíola dos macacos vêm aumentando e preocupam médicos e pesquisadores do mundo todo. A infectologista Luciana Marques Sansão Borges, do Instituto Emílio Ribas, explica mais sobre a doença: Qual é a diferença entre a varíola dos macacos e a humana, que é uma doença antiga e que, inclusive, já foi erradicada há mais de 40 anos?São vírus do mesmo gênero, ou seja, eles apresentam semelhanças genéticas, mas pertencem a espécies diferentes. A varíola convencional está erradicada desde 1977. Já a monkeypox foi detectada em macacos em 1958 e a primeira infecção humana se deu em 1970, em uma criança na República Democrática do Congo (África). Trata-se de uma zoonose, ou seja, um vírus transmitido para humanos por intermédio dos animais. Por que ela reapareceu agora?É uma enfermidade endêmica; em outras palavras, restrita a algumas nações da África central e oeste, com casos esporádicos em outros países. Até o momento, não foi encontrada a origem do surto atual, que está em investigação. Não foi evidenciado vínculo epidemiológico com viagens para áreas endêmicas. Quais os sintomas?Inicialmente, a pessoa tem sintomas comuns em qualquer quadro viral, como mal-estar, perda de apetite, dor no corpo, dor de cabeça, aumentos dos linfonodos (gânglios linfáticos) e febre. Depois de a febre passar, surgem as lesões de pele, que podem aparecer como manchas vermelhas que mudam de aspecto no decorrer dos dias, tornando-se pápulas, em seguida vesículas (bolhas) e, por fim, viram úlceras com crostas. Existe vacina?Específica para monkeypox, não. O que existe é uma provável imunidade cruzada decorrente da vacina da varíola convencional. Como se dá a transmissão de fato?A principal forma de transmissão ocorre pelo contato direto com as lesões de pele, mas também pode ser transmitida por meio de líquidos corporais e gotículas de ar. Há um tratamento eficaz?É uma doença viral autolimitada, ou seja, após a cicatrização das lesões de pele, a pessoa estará curada, sem necessidade de tratamento específico, que também não existe. Pode levar à morte?Em estudos prévios e também nos casos detectados na Europa, os quadros são descritos como leves e de evolução benigna. Na literatura médica, considera-se de 1% a 10% de risco de óbitos. O grupo com chance de evolução desfavorável e complicações inclui crianças, gestantes e pacientes imunossuprimidos. A vacina convencional previne a varíola dos macacos?Existem algumas teorias de imunidade cruzada, por serem vírus semelhantes, de mesmo gênero. Mas não há qualquer estudo que comprove que isso ocorre de fato. Em apenas uma noite, uma pessoa pode atravessar o mundo de avião a jato. Isso faz com que as doenças se disseminem mais facilmente?Sim, principalmente porque alguns vírus durante o período de incubação (no qual a pessoa ainda não sente nada) já podem ser transmissíveis. Em quanto tempo a doença deve chegar ao Brasil?Não temos como saber. Dependerá de fatores como contato próximo de brasileiros com portadores do vírus no exterior ou pessoas que estejam viajando pelo Brasil e tenham mantido contato com portadores da doença. No atual mundo globalizado, pode acontecer a qualquer momento. Os registros têm sido mais comuns em homossexuais e bissexuais?Relatos da Europa estão associando o contato íntimo como a principal fonte de contágio, principalmente por relações sexuais. No momento, a maior parte dos casos (mas não de forma exclusiva) foi identificada em homens que fazem sexo com homens. A contaminação nunca se dá pelo ar?Dados relatados até agora não consideram essa como a principal forma de infecção. Mas não podemos descartar a transmissão por gotículas no ar. A probabilidade de contágio entre indivíduos sem contato próximo é considerada baixa. Como é feita a testagem?São prescritos exames de swab de orofaringe ou nasofaringe específico, biopsia das vesículas e sorologias com IGM e IGG para a doença após o quinto dia. Não foram fornecidos até o momento fluxos para realização desses testes no Brasil. O doente deve se isolar?Sim, todos os casos considerados suspeitos devem ser isolados para evitar a disseminação da doença.