Plantas e bactérias podem gerar eletricidade, ajudando a transformar os centros urbanos em áreas cada vez mais verdes (Adobe Stock) Imagine caminhar por um parque rodeado de plantas exuberantes, flores coloridas e árvores imponentes, mas que, além de sua beleza natural, também estão gerando eletricidade. A incomum proposta para produzir energia limpa não é mais um sonho distante - é uma realidade emergente que está ganhando força pelo mundo, podendo transformar áreas verdes em verdadeiras baterias vivas. A ciência por trás disso é fascinante: as plantas, durante seu ciclo de vida, liberam nutrientes pelas raízes. Esses nutrientes, ao serem processados por bactérias eletroativas, geram uma corrente de elétrons que pode ser captada e utilizada para alimentar dispositivos elétricos de baixa potência. Opções Plantas como capim, samambaias e até arbustos podem, em projetos experimentais, ajudar a alimentar sensores ou luzes LED em jardins urbanos. Ampliar essa capacidade é a missão de cientistas de diversos países, como Holanda e Espanha, que já estão testando formas de maximizar o processo. Uma possibilidade é empregar as bactérias em atividades que produzem grandes quantidades de água residual, como estações de tratamento de esgoto, cervejarias e indústrias alimentícias. Purificação Ao consumir os resíduos e gerar eletricidade, a tecnologia ainda proporciona outro benefício: melhora o processo de potabilidade dessa água, reduzindo a poluição hídrica. Para os pesquisadores, o método ainda tem a vantagem de ser mais sustentável do que a energia obtida por meio de placas solares ou turbinas eólicas. Tanto a mineração para a produção de painéis solares quanto o descarte de materiais no final da vida útil desses dispositivos ainda geram impactos ambientais consideráveis. Pertinho Esse conceito faz parte de uma nova abordagem, que busca soluções baseadas na natureza. Do ponto de vista urbanístico, as “baterias vivas” podem ajudar na transformação das cidades em lugares mais sustentáveis e autossuficientes. Cidades que passam a nos lembrar, cotidianamente, que boas soluções podem estar bem debaixo dos nossos pés. (Divulgação) Colheita energética Imagine a cena: você chega em casa e vai recarregar seu celular no vasinho de planta na sala. A lâmpada do abajur acende graças à trepadeira que cresce na varanda. Mais do que curioso, realidade. O princípio é o mesmo descrito no texto desta página, aproveitando o trabalho das bactérias que crescem na terra. A diferença é que essa eletricidade está dentro da sua casa, a sua disposição e pode ser aproveitada. Pode parecer pouco, até mesmo insignificante, mas não é bem assim. Atualmente, temos quase sete bilhões de smartphones no mundo e recarregá-los consome o equivalente a energia dispendida em três milhões de casas.