Na série da Austrália, a chefe é uma mulher, interpretada por Felicity Ward, o que difere do original britânico e do sucesso americano (Prime Video/ Divulgação) Se há um fã de séries que nunca sofre por abstinência, este é o fã de The Office. Ele sempre pode rever a versão de maior sucesso, a americana, estrelada por Steve Carrell, ou a original britânica, com Rick Gervais. Há outras 12 - doze!!! - versões regionais feitas em países como Alemanha, França, Arábia Saudita, Índia e Grécia, todas seguindo o mesmíssimo molde: um pequeno escritório comandado por um chefe sem noção e algumas situações que se repetem: o colega que se acha chefe, o casal que se paquera, o inteligente que ninguém leva a sério. E aí o Prime Video resolve produzir, na Austrália, uma nova edição do show que, pelo menos, tem uma novidade que me animou: a chefia do escritório é ocupada por uma mulher, Hannah, feita pela comediante Felicity Ward. Ela comanda, também sem nenhuma noção, o escritório regional da Flinley Craddick, uma empresa de embalagens. Os funcionários obviamente não gostam dela e muito menos de suas brincadeiras, o que não a inibe de repeti-las à exaustão. Quando a matriz decide que, para cortar custos, todos os funcionários deverão fazer home office, a gerente percebe que vai perder o poder que acha que tem e faz uma contraproposta: se os lucros da filial aumentarem em 300%, todos permanecerão no trabalho presencial. É óbvio que ninguém na equipe aprova a ideia e é a partir daí que se desenrolam a trama e todas as subtramas da primeira temporada, naquele estilo de falso documentário que se tornou referência inclusive para outras séries, como Parks and Recreativo e Modern Family. Eu já me diverti antes com o humor australiano. Adorei Crocodilo Dundee e ainda mais Priscilla, a Rainha do Deserto. Mas o fato é que, apesar de seguir à risca a fórmula de sucesso, The Office Austrália me despertou apenas risinhos constrangidos. Há uma piada boa aqui ou ali e algumas situações foram até bem pensadas (o namorado da funcionária pedindo para ela escolher alguém para dormir com eles me divertiu), mas nada que justifique bons números de audiência. Bom... Feita a apresentação, chegou o momento de me desmentir: The Office Austrália é a produção original do Prime Video mais vista no serviço em todo o mundo. É sério: as pessoas estão gostando do show tal qual os funcionários da Dunder Mifflin americana gostavam de Michael Scott, apesar de toda a inaptidão. Um fenômeno inexplicável, mas certamente eu minimizei a importância de algo que seja de fato voltado às piadas em um mundo que chama a deprimente O Urso de comédia... E, de fato, apesar de inexplicável, é interessante ver a reima-ginação de um grande sucesso vencendo o desafio de chegar perto do original (em audiência!!). Não é fácil. A primeira e última temporada de How I Met Your Father e o cancelamento de That 90's Show são exemplos recentes. Tamanho retorno mesmo depois de tantas versões era o que os criadores da franquia precisavam. Já está em produção a The Office México e fica a torcida, também, para que os outros clones cheguem ao público brasileiro. Já pensou como deve ser diferente a versão indiana? Eu já! E para encerrar ainda falando em versões, fico me perguntando quem faria os papéis principais em uma potencial versão brasileira de The Office. Para o chefe, consigo pensar em Miguel Falabella ou Luiz Fernando Guimarães. É bem verdade que a global Os Aspones, com Marisa Orth, Selton Mello, Andréa Beltrão e Pedro Paulo Rangel, faria bem esse papel, mas se em alguns meses essa ideia se tornar real, quem você gostaria de ver nos principais papéis? Comente na versão desta coluna no site de A Tribuna ou no meu Instagram @natelagk. Curioso para saber a sua opinião!! Até semana que vem!