[[legacy_image_161729]] “Como todo mundo, você procura aprender como vencer, mas nunca como perder”. Essa valiosa mensagem deixada pelo ator Bruce Lee reflete uma sociedade que aplaude as conquistas e enxerga a derrota como uma desonra. Mas será que esse modo de ver os erros é o mais saudável? Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Vencer está associado à motivação, enquanto, por outro lado, perder está culturalmente relacionado com a fraqueza. “Quando perdemos, não estamos falando apenas daquela perda específica. É um conjunto de coisas que estão relacionadas com esse fato, e que são importantes para o indivíduo. No caso de um atleta, por exemplo, quando ele é derrotado, pode sentir que toda sua dedicação, seu empenho e o investimento feito foram em vão. Além disso, a sensação de inferioridade pode surgir, fazendo com que a pessoa acredite que é incapaz ou insuficiente”, explica a psicóloga Bruna Leoneli. Ser competitivo é um instinto do ser humano. Todos nós nos sentimos bem quando vencemos, pois o nosso sistema de recompensa é gratificado. No entanto, de acordo com a psicóloga, para que a competição seja saudável, basta entendermos que ela é um processo. “Os resultados de competições são apenas uma parte da nossa vida; eles não representam quem somos”. Além disso, Bruna conta que a competição exageradamente incentivada pode desencadear ansiedade, estresse, autocobrança excessiva e sentimentos de inferioridade, principalmente quando incentivada desde a infância. Diferentemente do que muitos pensam, a derrota pode nos ensinar bem mais do que a vitória. Você já ouviu aquela frase clichê que “é errando que se aprende”? Pois foi caindo que aprendemos a andar quando éramos bebês. “As derrotas podem nos trazer ensinamentos e gerar reflexões. É preciso que reavaliemos nosso percurso,para compreender o que houve. Perceber a derrota como um ponto final certamente não nos trará nenhum ganho. Devemos pensar na derrota apenas como uma vírgula”, afirma a especialista. Para lidar com a derrota de uma forma saudável, é preciso entender que o erro não é nosso inimigo, e sim o responsável por podermos nos enfrentar em busca de melhorias. Concentrar-se mais no processo do que na vitória em si é necessário para o autoconhecimento e serve de preparo para vencer nas próximas ocasiões. “A derrota dói em cada pessoa de uma maneira diferente. Olhar para o todo, avaliar o cenário e também o processo que foi vivenciado até aquele momento, com certeza, pode ajudar nesse processo de entendimento e superação”, observa Bruna. “Vai lá, você consegue”, “se você quer, você pode”, “é preciso ser competitivo na vida”... Essas são algumas frases que estamos habituados a ouvir quando contamos os nossos planos e dificuldades para alguém. Porém, para Bruna, esses clichês podem ser problemáticos em determinado momento. “Incentivar as pessoas a acreditarem somente na meritocracia é algo problemático, principalmente quando falamos de um país em que a maior parte da população é pobre e enfrenta diferentes dificuldades. Obviamente, o esforço gera resultados, mas somente isso não é suficiente”, finaliza.