[[legacy_image_348089]] Há 520 anos, em 1504, Cristóvão Colombo, em discórdia com nativos jamaicanos, usou um almanaque de astronomia para ‘prever’ um eclipse e manipulá-los. Nesta segunda (8), acontece um desses fenômenos, um eclipse total do Sol, no Hemisfério Norte. Imagine o pavor das sociedades pré-históricas ao presenciar o dia se transformando em noite ou a Lua se tingir de vermelho? Criar presságios seria uma consequência quase lógica. Divindades? Um passo até óbvio na busca para explicar o até então inexplicável. É um legado curioso e inestimável. Devorador de luasEnquanto nas sagas nórdicas um lobo gigantesco era o responsável pelo eclipse solar total, os Tupi-guarani invocavam uma mítica onça como a devoradora da Lua. Na China, os antigos invocavam um dragão. Já no Egito, uma serpente, Apophis, como encarregada por esses momentos de apreensão. Nessas representações dramáticas, porém, nem todos são vilões. Enquanto os egípcios tinham Rá, os hindus contavam com Vshinu. Ambos apaziguam e dão ordem ao caos, devolvendo o dia e a noite à sua normalidade. Assim, do espetáculo diário do céu noturno, os humanos foram tecendo interpretações, visões que acabaram por ampliar ainda mais os questionamentos. Milênios de observação cuidadosa permitiram concluir que a dança sincronizada dos astros oferecia valiosas informações de uso prático, que se desdobravam em melhor qualidade de vida, mais pessoas. Os Tupinambás, no Maranhão, por exemplo, sabiam correlacionar precisamente as fases da Lua com as mudanças das marés, como descreveu o padre francês Claude Daubeville, em 1612. EnigmasAlguns enigmas foram sendo decifrados e outros surgiram. Muitas luas e sóis, quase infinitos, fazem agora parte desse conhecimento. Para muitos deles, ainda damos nomes de divindades. Um panteão nos cerca no céu, ora refletindo nossa reverência, ora admitindo nossa humildade. Eclipses, hoje, não são mais ocorrências aterrorizantes. Eles, na verdade, nos lembram de quantos novos saberes ainda nos aguardam. Talvez não gerem folclores ou lendas (o que será lamentável), mas nos reconectam com a natureza de que somos formados.