[[legacy_image_183402]] Ficar juntinho da pessoa amada e ter a sensação de amparo e aconchego é muito saudável. Namorar aumenta os níveis de ocitocina (hormônio responsável pela sensação de confiança e bem-estar), reduz o cortisol (hormônio ligado ao estresse), alivia as dores e acalma a mente. Mas o que, afinal, acontece de diferente entre o amor e a paixão dentro do nosso organismo? Segundo o psicólogo Lucas Leandro, a paixão é uma das condições humanas mais discutidas no mundo. Até a Ciência comprova os efeitos do estresse em quem tem uma paixão não correspondida. No entanto, quando o sentimento é recíproco, apesar de haver uma certa apreensão, os resultados positivos para o bem-estar acabam sendo maiores. “Ao contrário do amor, que é calmo e estável, a paixão se mostra avassaladora e faz com que o cortisol, o hormônio do estresse, fique mais elevado, o que provoca a sensação de insegurança, ansiedade e obsessão. Por outro lado, a dopamina (responsável pelo prazer) e a ocitocina (que aumenta a libido e a disposição sexual) se tornam mais marcantes, de forma que os apaixonados são mais desinibidos, destemidos, interessados e naturais”, explica o terapeuta. O psicólogo ainda cita a ocitocina como um dos neurotransmissores importantíssimos na recuperação de uma pessoa em depressão, além de ter papel estratégico numa mulher que entra em trabalho de parto ou amamenta. “A paixão, apesar de nos deixar eufóricos e meio bobos, produz alegria e senso de entrega. Quando correspondida e bem ordenada – se é que isso é possível –, ela funciona como uma injeção natural de saúde”. Maior equilíbrioPor sua vez, o amor é o aperfeiçoamento da paixão, que, embora se mostre gostosa de viver, tende a ser muito instável. “No amor, os hormônios, que quando estávamos apaixonados nos deixavam fora do prumo, acabam ficando regulados. Para se ter ideia, a dopamina e o cortisol, nos apaixonados, se encontram em níveis elevados, fazendo com que busquem recompensas a todo instante e gerando preocupação e medo de perder a pessoa amada”, comenta o psicólogo Lucas Leandro. Mais estável, quem ama não só deixa os sentimentos fluírem de uma maneira melhor como passa a destinar esforços positivos, atenção, compromisso e constância para o seu parceiro (a). “E a ocitocina, que já estava alta no período da paixão, continua subindo de nível, de forma que a saúde, as alegrias e outras emoções tendem a criar uma interdependência, na qual, com a falta de um, o outro desenvolve uma espécie de suporte até que haja um equilíbrio”. Por outro lado, a serotonina, que não estava tão presente na paixão, reaparece no amor em índices adequados e o casal compreende algo que vai além das alegrias passageiras e dos prazeres simples. “Eles começam a fazer planos e a pensar em circunstâncias mais complexas, como o sentido da vida”, detalha o psicólogo, complementando que o controle e a recuperação das doenças psíquicas, por exemplo, são mais fáceis. Um beijo, um abraço e até mesmo o sexo de um casal comprometido e maduro geram uma sensação única de abrigo, de amparo – que é propícia para novas produções hormonais reparadoras. + DetalhesO nosso comportamento muda quando encontramos alguém que faz o coração acelerar. As pessoas apaixonadas, diz o psicólogo Lucas Leandro, sentem-se muito mais dispostas, ficam mais ativas e cheias de iniciativas. Elas buscam melhorar, tanto na parte intelectual quanto na estética, com o objetivo de agradar o outro. Também conseguem enfrentar melhor os medos e chegam até a fazer “loucuras por amor”. “Quem ama tenta se ajustar aos defeitos do parceiro. Já na paixão, a pessoa não enxerga as falhas do outro e se torna hipervigilante no sentido de corresponder às expectativas e alimentar os prazeres e desejos do companheiro”. Por fim,é inegável que tanto a paixão quanto o amor, cada um no seu tempo, tendem a superar os pesares e sacrifícios com sua vasta quantidade de benefícios diretos para a saúde.