Estudos mostram como o olfato pode auxiliar em diagnósticos ambientais e de saúde (AdobeStock) Vamos combinar: quem nunca meteu o nariz onde não foi chamado? A expressão remete à nossa curiosidade inata, mas, quando o assunto é ciência, meter o nariz é mais que um hábito e se torna uma obsessão. E, cá entre nós, o nariz tem se mostrado um órgão muito mais fascinante do que se imaginava. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tanto é que acabam de ser divulgados os resultados de um estudo dedicado ao desenho do nariz dos cães. Um minucioso mapeamento 3D foi desenvolvido, tudo na esperança de saber em detalhes como essa máquina funciona. Cães conseguem captar e diferenciar frágeis moléculas que vagam pelo ar, com enorme precisão. E esse superpoder tem ligação total com a arquitetura nasal canina. Eles desenvolveram toda uma estrutura que privilegia a dinâmica do fluxo de ar, que permite que eles captem odores a quilômetros de distância, diferenciando você, até mesmo, de outro ser humano. À essa peculiaridade, somam-se 300 milhões de receptores olfativos – nós temos algo em torno de 5 milhões. E não é só isso: a parte do cérebro de nossos fiéis amigos dedicada ao olfato é, proporcionalmente, 40 vezes maior do que a nossa. É possível, porém, encontrar similaridades. E uma delas gera sensações particularmente sensíveis para os dois. As terminações nervosas do nariz têm uma linha direta com a parte do cérebro responsável por emoções e memórias. Isso explica porque um odor é capaz de provocar reações e lembranças por vezes mais acentuadas que qualquer outro sentido. O cheiro da chuva no asfalto, do bolo no forno ou da pele de um bebê causam imediata resposta emocional. Mas, afinal, pergunta você: que benefício tais estudos nos oferecem? Para que estudar a estrutura de um nariz? Porque queremos fazer narizes ainda mais poderosos. Hoje, o nariz eletrônico já diferencia uma série de substâncias e atua decisivamente no combate de fraudes. Combinados com novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA), será capaz de antecipar diagnósticos médicos com alta precisão. Em breve, estarão presentes em dispositivos como smartphones, facilitando o monitoramento de saúde pessoal e ambiental. Poderão, até mesmo, ser um item obrigatório em roupas, incubadoras, estufas, indústrias, comércios e nossas casas. Então, da próxima vez que você “meter o nariz” em algo, lembre-se de que ele é muito mais do que um mero acessório facial. Ele é uma janela para memórias, uma ferramenta de diagnóstico e, para muitos animais, a diferença entre vida ou morte. No fundo, todos somos bisbilhoteiros olfativos, farejando o mundo em busca de informações – que, convenhamos, podem ser mais reveladoras do que imaginamos. Os elefantes têm as narinas na ponta das trombas e possuem uma das memórias olfativas mais sensíveis do reino animal (AdobeStock) Evolução Tamanho é e não é documento. Não entendeu? Então, veja. Os elefantes têm as narinas na ponta das trombas e possuem uma das memórias olfativas mais sensíveis do reino animal. Diferenciam, até mesmo, grupos de humanos. Já os tubarões, sim, eles também têm narizes, mas utilizados apenas para detectar e localizar a fonte do odor com extrema sensibilidade. Os cálculos dizem que basta uma gota de sangue em 2,5 milhões de litros de água, equivalentes ao conteúdo uma piscina olímpica oficial. Já as cobras, mesmo tendo narinas, utilizam principalmente a língua para captar as moléculas no ar, que é analisada por receptores no céu da boca. Por fim, as plantas. Elas também captam odores e até se comunicam por meio deles. Algumas, quando sob ataque de herbívoros, liberam compostos químicos. As mais próximas, ao detectá-los, ativam mecanismos de defesa. Todo esse ferramental altamente especializado é fruto de milhões de anos de evolução. Agora, são fonte de inspiração e desenvolvimento de inúmeros benefícios.