Quem tem 19 anos agora é meu sobrinho, que me acompanha no show do cantor americano Bruno Mars (Reprodução/ Instagram) Eu tinha 19 anos quando fui no meu primeiro grande show internacional. O U2 fazia sua primeira turnê no Brasil, a Popmart. Era janeiro de 1998. Meu amigo do Ensino Médio, Felipe, topou me acompanhar. Imploramos a nossos pais. E embarcamos em uma excursão que saía do Canal 3. Chegamos no Estádio do Morumbi antes dos portões abrirem. Lembro até hoje da roupa que eu usava: shorts jeans, uma regata preta com detalhes brancos nas alças e um tênis branco e preto de camurça, lindo, presente da minha cunhada - mas que não podia usar sem meia e fiquei com o calcanhar esfolado de tanto pular na arquibancada. Nem senti. Afinal, era muita emoção ver os irlandeses Bono, The Edge, Larry e Adam. O U2 virou uma paixão que comecei a ouvir por causa de outra: o cinema. Bono, ao lado do compositor Gavin Friday, assinou a canção tema do filme Em Nome do Pai, com o ator Daniel Day-Lewis, sobre um atentado do IRA em 1974, que mata cinco jovens em um pub em Londres, e outros jovens irlandeses são acusados, presos e torturados injustamente. Uma história real que é um soco no estômago. Achei a música tão impressionante que quis saber o que mais Bono e sua banda tocavam. Não parei nunca mais. Todas as vezes que o U2 fez shows no Brasil desde então, lá estava eu. E foram as apresentações da banda que despertaram em mim o prazer de assistir a outros grandes artistas gringos: Madonna, Rolling Stones, Pearl Jam, Aerosmith, Faith no More, Kiss, Bon Jovi, Lenny Kravitz, Paul McCartney. Adoro shows. Junto com viagens, acho um dos dinheiros mais bem gastos da vida. Prefiro ficar meses sem sair, mas ter grana para pagar um espetáculo com um ídolo e viver essa experiência, até difícil de explicar, que é sentir a energia de um estádio inteiro cantando e dançando músicas que embalam nossa história. Para dias de alegria. Para os momentos de tristeza. Para trazer conforto, calma, foco ou garra. Música é uma das coisas mais perfeitas que a humanidade criou. Vinte e seis anos se passaram. É outubro de 2024. Estou novamente no Estádio do Morumbi - agora MorumBis, porque o São Paulo Futebol Clube vendeu os direitos do nome do local para a empresa dona da marca do chocolate Bis. Quem tem 19 anos agora é meu sobrinho, que me acompanha no show do cantor americano Bruno Mars. Considerado o novo rei do pop, uma mistura de Michael Jackson, Elvis Presley e Prince, Bruninho, como é carinhosamente chamado pelo público brasileiro, entregou tudo. Cheio de simpatia, transformou o estádio em uma gigante pista de dança, com a galera cantando a plenos pulmões, e flertou com a mulherada revelando em português “eu tô solteiro” e “tô facinho”. Delírio. Além de mais um show incrível para a conta, essa memória especial, de um dia sensacional e da estreia do meu sobrinho, que também é meu afilhado, diante da arte dos superespetáculos, está criada. A gente cantou, pulou e dançou juntos. Nunca vamos esquecer. E quando eu for velhinha e o Bruno Mars também, será João a me levar em seu show. P.S.: é até difícil sugerir uma só música do Bruninho. Mas deixo aqui 24K Magic, com a qual ele abre os shows da atual turnê, e canta com o público em coro: jogue suas mãos para o alto, vamos começar essa festa direito.