[[legacy_image_181618]] “Dos casos graves de coronavírus, cerca de 20% dos pacientes vão ficar com algum tipo de lesão no coração”, alerta o cardiologista Philipe Saccab. Uma delas é a miocardite, inflamação do músculo cardíaco que geralmente aparece em resposta à ação do sistema imunológico a um agente agressor. E não é apenas a covid-19 a principal responsável pelo problema. Vírus, bactérias e até alguns medicamentos (principalmente os usados para fazer quimioterapia) podem desencadear o quadro. Mulheres grávidas e pacientes com aids também são mais suscetíveis à miocardite. Por isso, é importante ficar atento aos sintomas, já que o problema tem tratamento. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Fadiga, febre, dor no peito, falta de ar e palpitação são os sinais da doença. Em geral, ela não costuma ser grave, mas fazer o diagnóstico é importante para iniciar o tratamento e evitar eventuais complicações. Philipe Saccab explica que, na miocardite, ocorre uma reação imune no músculo cardíaco, decorrente do depósito de anticorpos que foram criados para combater uma infecção. A lesão geralmente é reversível. A miocardite passa por várias fases e os sintomas podem se tornar mais intensos com a falta de tratamento. “Quando já se encontra em sua forma aguda, é importante fazer uso de anti-inflamatórios e medicações específicas, como betabloqueadores e inibidores da enzima conversa de angiotensina (que provocam o relaxamento dos vasos sanguíneos), para melhorar a performance do músculo cardíaco”, diz o cardiologista. “Só em casos raros, a doença é letal”. A miocardite pode aparecer durante alguma doença infecciosa, mas o mais comum é surgir no período pós-infeccioso. “Toda infecção grave pode atacar diversos órgãos, como rim, coração, sistema nervoso central... E a covid não é diferente”, observa o médico. Por isso, é importante realizar um check- up cardíaco antes do retorno às atividades físicas. “Exame físico, teste ergométrico e ecocardiograma são fundamentais no pós-covid. Em casos selecionados, também é indicada a ressonância do coração”. Com os exames realizados e a liberação do cardiologista, é muito importante manter a saúde do coração com a prática regular de exercícios físicos e a alimentação saudável. “Recomendo, pelo menos, 150 minutos semanais de atividade física, além da manutenção do peso com a ingestão moderada de carboidrato. O cigarro deve ser evitado. Dessa maneira, vamos conseguir envelhecer com qualidade de vida”.