Na varanda gourmet, o ladrilho hidráulico tem um toque retrô (Guilherme Pucci/ Divulgação) Quem disse que, para conceber sutileza e elegância a um espaço, ele precisa ser composto apenas por referências neutras e discretas? Cores e desenhos são poderosos aliados nos projetos na arquitetura de interiores, uma vez que são capazes de transmitir mensagens, estimular sensações e criar belíssimos efeitos visuais. Nesse sentido, os azulejos coloridos retornaram aos projetos – muito se espera que seja para ficar – por conta da expressão artística, versatilidade, leveza e a capacidade de transformar ambientes. Mas como empregar sem exagero e não o deixar datado, como as referências que identificamos em décadas passadas? De acordo com o arquiteto Bruno Moraes, a proposta é sempre trazer o azulejo colorido com a finalidade de criar pontos focais, acentuar áreas específicas ou mesmo revestir, por completo, paredes e móveis, sempre com a proposta de revelar atmosferas singulares em cada espaço. “Não apenas os azulejos em si, mas as cores vivas ganharam abertura na arquitetura de interiores, especialmente no período pós-pandemia, quando a maioria refletiu sobre a importância de contar com uma cartela variada de tons, e não apenas os neutros, como no passado. Essa ressignificação foi reintroduzida em vários elementos, tanto quanto os revestimentos, como pinturas e marcenarias, entre outros”. Cuidados Os azulejos coloridos são frequentemente assentados em áreas sujeitas à umidade, como cozinhas e banheiros, devido a sua resistência à água e a reconhecida facilidade de limpeza. Aliás, cada tipo de revestimento requer cuidados específicos, que vão desde o processo de instalação, manutenção, por conta de recomendações de impermeabilização, por exemplo, e limpeza – que comumente deve ser feita com água e sabão neutro como forma de evitar problemas ou danos ao material. De acordo com o arquiteto, não é necessário limitar o uso do material a espaços úmidos. Esse tipo de recurso – incluindo ladrilhos e porcelanatos – é versátil o suficiente para ser aplicado em diversos ambientes como áreas de serviço, assim como em áreas de convívio e lazer, como as salas de estar ou jantar, desde que a combinação das cores seja cuidadosamente planejada. Não há restrições significativas quanto ao seu uso. Portanto, ele pode estar presente em toda a residência, viabilizando um resultado estético e funcional super satisfatório. A cozinha possui azulejo colorido com desenho personalizado (Guilherme Pucci/ Divulgação) Requisitos Configurar uma paleta de cores equilibrada é um requisito fundamental e recorrer a revestimentos modernos é uma dica de ouro para tornar a decoração mais ousada e criativa. O arquiteto Bruno Moraes recomenda que, se o caminho for a opção por tonalidades contrastantes, há de se prezar pelo equilíbrio para não errar na mão. “A escolha de cores acompanha as preferências dos moradores com base no estilo e nas preferências pessoais. Além de transmitir a personalidade, esse cuidado é valioso para que, mais adiante, não se sintam cansados do revestimento”. Projeto A decisão pelo revestimento deve ser feita após uma análise detalhada que engloba elementos como mobiliário, tecidos, cortinas e marcenaria. É crucial considerar todos esses aspectos a fim de eliminar equívocos e assegurar a harmonia. A paginação é sistematicamente incorporada no projeto, uma vez que sua inclusão é imprescindível para a compra do revestimento, evitando o desperdício de peças adquiridas em excesso ou a escassez de materiais. Consequentemente, a impressão da paginação é transportada para o canteiro de obras e replicada no chão ou na parede de forma idêntica ao plano original. Normalmente, quando se trata de peças cerâmicas com desenhos e coloridas, é requerida uma prudência meticulosa, por parte do instalador, para que as direções e elementos gráficos estejam alinhados com exatidão para compor o desenho integral. “Isso difere substancialmente da instalação de peças coloridas idênticas entre si, que são consideravelmente mais simples”.