Bridgerton é baseada na saga literária escrita pela norte-americana Julia Quinn (Reprodução/ Redes Sociais) Sucesso absoluto na Netflix, Bridgerton, cuja terceira temporada estreou este mês, é baseada na saga literária escrita pela norte-americana Julia Quinn. Ela, inclusive, esteve no Brasil na última Bienal do Livro do Rio, no ano passado. Em oito livros, a autora construiu as histórias de amor dos integrantes de uma família da alta sociedade na Inglaterra do século 19. Para quem gosta de romances de época, é boa dica de leitura. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A série da Netflix é uma adaptação da obra com produção de Shonda Rhimes, a mesma de sucessos como Greys Anatomy, mas possui muitas diferenças da obra original. Para começar, a Netflix não seguiu a sequência escrita por Julia Quinn. Cada livro é centrado em um dos irmãos Bridgerton e o terceiro, chamado Um Perfeito Cavalheiro, foca na história de Benedict (Luke Thompson) e não de Colin (Luke Newton) com Penelope (Nicola Coughlan), que são o tema da trama do quarto livro: Os Segredos de Colin Bridgerton. Na obra literária, Penelope já foi rejeitada em muitas temporadas de debutantes, sendo considerada uma solteirona. Na série, ela está na terceira tentativa. Também, apesar de haver um rápido triângulo amoroso na versão original, após ela mudar o visual e chamar a atenção de um pretendente, o romance de Pen e Colin acontece mais naturalmente, sem ele se oferecer para ajudá-la a arrumar um marido. Outra diferença é a amizade entre Eloise (Claudia Jessie) e Penelope. Na versão literária, ela não investiga a identidade de Lady Whistledown e, portanto, não a descobre. Um leve abalo na amizade ocorre por Pen só pensar no casamento. Inclusive, o próprio Colin, no romance de Quinn, quando toma conhecimento de que a amada é a misteriosa colunista de fofocas fica mais enciumado pela ‘carreira’ de escritora dela do que bravo. Eles ficam estremecidos, mas logo voltam às boas. Já na série adaptada pela Netflix tudo dá a entender de que isso será um enorme problema para o casal na 2a parte desta 3a temporada, que entra no catálogo dia 13 de junho. Aliás, a expectativa é grande para a estreia, já que o namoro dos dois promete apimentar, o que é uma característica da autora. Segundo a crítica especializada, um dos motivos de se adiantar a história de Colin e Pen foi o carisma da personagem feminina, que foge dos padrões estabelecidos na época, tanto de aparência (mesmo sendo linda demais) como de personalidade. Fato é que deu certo. Agradou mais que a segunda temporada. Outra diferença é que o original não explora a estreia de Eloise na sociedade nesta fase. Afinal, ela tem um livro só dela, que é o número 5, intitulado Para Sir Phillip com Amor. Eu, inclusive, gostei muito dessa história. Uma das melhores da saga porque sou fã dela. Mas há quem diga que a adaptação pode dar um novo enredo à vanguardista Eloise, que poderia ter um relacionamento com sua nova amiga, a ‘vïlã’ Cressida Cowper (Jessica Madsen), que não tem esse destaque no livro. Francesca Bridgerton, inicialmente interpretada por Ruby Stokes e depois por Hannah Dodd nesta 3a temporada é mais presente na adaptação do que no livro de Colin. Ela vai aparecer mesmo em O Conde Enfeitiçado: O Livro de Francesca, quando sua história é contada de forma independente. No seriado, há uma sobrepo-sição de tramas. Até mesmo a matriarca ganhou um enredo que não consta da obra. Enfim, mesmo que sejam diferentes, ambos, livros e série, são bons entretenimentos. Para quem curte ler, indico conhecer a escrita original de Julia Quinn, editada no Brasil pela Arqueiro. As mulheres Featherington Se você é fã de séries românticas com certeza já maratonou a primeira parte da terceira temporada de Bridgerton, na Netflix. Dessa vez, a trama principal gira em torno de dois dos personagens mais queridos: Penelope Featherington e Colin Bridgerton. Dividida em duas partes - para enlouquecer o público de ansiedade e a franquia ganhar em marketing - há muito mais por trás da história de amizade que se transforma em amor de Pen e Colin. Na Londres de 1815, uma jovem inteligente, leitora voraz, perspicaz e espirituosa como Penelope estava longe de ser um bom partido. Nada disso era predicado para se tornar a esposa que a maioria dos homens da sociedade da época esperavam. Também fora do padrão físico de então, mesmo que sua beleza seja estonteante (o que fica evidente na nova fase), Pen sofre com o desdém e os comentários maldosos. Mas a moça é forte. E não sei se alguém percebeu (talvez eu cause polêmica agora), ela tem a quem puxar: Portia, sua mãe, conhecida como Lady Featherington. Sempre achei Portia, junto com Penelope, as personagens com as personalidades mais interessantes da série. Apesar de parecer que o único objetivo de Lady Featherington, viúva, é casar as três filhas, ela é uma sobrevivente em um tempo em que das mulheres eram arrancados seus poucos direitos (como os de herança) quando se viam sem familiares do sexo masculino. Portia não quer apenas que suas garotas casem. Ela quer mantê-las seguras, custe o que custar, em um mundo em que mulheres são valorizadas por serem acessórios perfeitos de casamentos arranjados. Notem que ela parece criticar o gosto de Penelope pelos livros - mas nunca a proibiu de lê-los. Na temporada passada, Portia ultrapassou limites éticos para manter a fortuna de Prudence, Philipa e Penelope. Nesta terceira fase, algumas de suas falas são bem progressistas - indicando que mulheres já sabiam muito bem que eram lesadas apenas pelo fato de serem mulheres. Ao retornar para a alta sociedade após um período amargo, ela diz às filhas: “Agora podemos seguir em frente sem nenhum homem para nos controlar”. Já em um momento de tristeza de Pen, ela consola a garota afirmando: “Ser solteira não é ruim. Os homens não costumam valer os problemas que vêm com eles”. Portia Featherington é inteligente e perspicaz, como assim saiu sua Penelope. A diferença é que enquanto a filha teve a chance de expandir conhecimento por meio dos livros, o que a ajuda a ter um “negócio” de sucesso (lembrem que é ela a escritora anônima Lady Whistledown), a mãe usa o que sabe e entendeu da vida para se fazer de tola quando necessário e defender sua família. Uma mulher no comando que usou as armas a ela disponíveis. Mãe solo. Se ainda hoje é difícil, imaginem dois séculos atrás? Vamos torcer também por Lady Featherington. P.S.: A cena de Pen e Colin na carruagem, minha gente, é quente, heim?! E linda! Pegue um leque para se abanar enquanto assiste e ouça depois da leitura desse texto a música que embala essa pegação icônica. A versão instrumental de Give Me Everything, de Pitbull, por Archer Marsh.