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Segunda-feira

13 de Julho de 2020

Pandemia aumenta busca por psiquiatras

Médicos recebem pacientes novos e com recaída, mostra pesquisa

A pandemia do coronavírus vem fazendo crescer a procura por consultas psiquiátricas, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Na última semana, a entidade divulgou resultado de pesquisa realizada entre seus associados. 

Médicos psiquiatras de 23 estados e do Distrito Federal participaram do levantamento, que identificou a realidade dos atendimentos durante a pandemia em todo o País: 47,9% dos entrevistados perceberam aumento em seus atendimentos após o início da pandemia. Neste grupo, 59,4% disseram que os atendimentos cresceram até 25% quando comparados ao período anterior.

A pesquisa também teve como objetivo identificar os atendimentos a pacientes novos, que apresentaram recaída após o tratamento já finalizado ou o agravamento de quadros psiquiátricos em pacientes que ainda estão em tratamento. Do total, 67,8% responderam que receberam pacientes novos após o início da pandemia, pessoas que nunca haviam apresentado sintomas antes. 

E 69,3% informaram que atenderam pacientes que já haviam recebido alta médica e que tiveram recidiva de seus sintomas, que retornaram ao consultório ou fizeram novo contato para atendimento. 

Além disso, 89,2% dos médicos entrevistados destacaram o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes devido à pandemia do covid-19. 

Dois cenários

Bruno Reis, médico psiquiatra da Santa Casa de Santos, afirma que, de fato, dois cenários predominam: pacientes novos e aqueles que apresentam recaída ou agravamento de quadro. 

Reis diz que a procura pode não ser ainda maior pelo receio que muitas pessoas têm de ir a médicos ou hospitais e serem contaminadas. Então, optam por se manterem em casa.

Miguel Ximenes de Rezende, psiquiatra da Unimed, também tem esse entendimento. Na cooperativa, houve redução no número de consultas, de 6.134 entre dezembro de 2019 e fevereiro deste ano, para 5.403 entre março e maio.

“Além dos pacientes em quarentena, muitos médicos também estão em quarentena, sem atender”, comenta Rezende. 

Em seu consultório, a procura aumentou. “Aumentei mais dois horários no dia, mas, se aumentasse seis ou oito, surgiriam pacientes”, declara.

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[TXTRET]<CP12><CL12><CW10><COATR6_2_00><SC90,122><SC90,122><SC90,122></CO></CP></CL></CW>Os sintomas de que algo está fora do normal não podem ser desprezados, dizem os médicos ouvidos por <FI5>A Tribuna</FI>.

“A ansiedade é algo normal no dia a dia, mas quando ela começa a incomodar, tirar o sono ou interferir no humor, por exemplo, é sinal de que se deve buscar ajuda”, diz Miguel Ximenes de Rezende.

Ele destaca, entre os sintomas apresentados especialmente pelos casos novos, os relacionados ao medo do futuro, do desemprego. “Tudo isso vai gerando transtorno ansioso depressivo reativo, que é quando um fato específico – no caso, a pandemia – desencadeia um processo psíquico.

Bruno Reis fala no risco que esses males não tratados podem desencadear no futuro próximo. “Podemos enfrentar transtornos pós-traumáticos, com sequelas e dificuldades para voltar à normalidade.” 

Reis defende que as autoridades públicas também estejam atentas a isso e já planejem o atendimento nos serviços de saúde.

Outro risco ligado a esse período é a automedicação, especialmente com remédios controlados. 

<CW-23>Ambos os médicos recomendam procurar atendimento psiquiátrico quando surgirem os primeiros sinais de que a pessoa não está conseguindo lidar com o isolamento social prolongado.

</CW>“Algumas pessoas acham que, porque começaram a tomar remédio para ansiedade ou depressão, vão ficar dependentes dele o resto da vida. Isso não é verdade. É importante saber que tudo tem começo, meio e fim”, afirma Miguel.

[/TXTRET]<MC>estratégias

<MC><CW-13>Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, o médico Antônio Geraldo da Silva destaca a importância de monitorar o atendimento psiquiátrico durante a pandemia para traçar estratégias de cuidado à saúde mental da população. 

</CW>“O monitoramento da saúde mental de pacientes já em tratamento ou em remissão, bem como da população em geral, é fundamental nesse momento. O estresse é uma reação normal que nos ocorre quando temos que ajustar nosso organismo frente à mudança. Quando saímos do modo usual de funcionamento comportamental e emocional, temos que usar nossos mais nobres recursos para adaptação.”

{HEADLINE}

<USDIARIOS>[NOHY]Se algo não vai bem, fique atento, advertem médicos

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