"É fundamental gerar oportunidades de estágios, garantir oportunidades iguais em recrutamento, promoção e salários", afirma Angela (Alexsander Ferraz/AT) Aos 44 anos, Angela Crego está à frente da Âncora Construtora e, nesta entrevista para A Tribuna, ela fala sobre a presença das mulheres no mercado da construção civil e os desafios enfrentados em busca de mais espaço no setor. “Estou no mercado desde 2007 e comecei atuando como diretora jurídica. Hoje atuo na direção-geral da empresa”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Como você enxerga hoje a presença feminina no mercado da construção civil? As mulheres estão ganhando espaço? Infelizmente, a presença feminina do mercado da construção civil ainda é muito pequena, pois é um mercado historicamente dominado pelos homens. Porém, a participação feminina vem crescendo e avançando na última década, principalmente nos cargos que exigem maior escolaridade. Quais os principais desafios enfrentados atualmente? Enfrentamos resistência profissional e precisamos comprovar constantemente nossa competência frente a um ambiente de trabalho que ainda é muito masculino. O grande desafio justamente é mudar essa cultura de estereótipos e preconceitos. Na Âncora, como está a presença de mulheres entre os funcionários? Na Âncora, a presença feminina é maioria nos cargos administrativos (no escritório) e temos trabalhado para que cresça também nos cargos operacionais, onde temos contratadas duas engenheiras civis, o que é motivo de orgulho para nós. As mulheres são mais detalhistas, cuidadosas e possuem um estilo de gestão bastante cooperativo, características que buscamos. Já em nosso canteiro de obras, não temos mulheres, pois ainda é um ambiente masculino e desafiador, mas acreditamos que investimentos em ações de incentivo em respeito e igualdade de oportunidades podem vir a mudar cada vez mais esse cenário. Você acredita que as mulheres podem desempenhar qualquer função na construção ou ainda não? Sem dúvidas, as mulheres são igualmente capazes de aprender e aplicar as habilidades necessárias ao setor, principalmente porque são maioria entre os matriculados e concluintes em cursos e no Ensino Superior no Brasil. Mulheres estudam mais, são mais interessadas e devem, sim, ser incentivadas a ingressar neste mercado. Na sua opinião, o que é necessário acontecer para aumentar a presença feminina no setor da construção? Diversas ações, mas entre as principais, políticas de equidade, respeito e maiores oportunidades de capacitação. É fundamental gerar oportunidades de estágios, garantir oportunidades iguais em recrutamento, promoção e salários.