Participantes e apresentadora do Podcast Santos no Ar (Virgínia Costa) Saúde e empreendedorismo foram a pauta do episódio do podcast ‘Santos no Ar’ comandado pela jornalista Cláudia Duarte. Philipe Saccab, cardiologista, e Alexandre Catena, clínico geral, dividem experiências e visões sobre a medicina e os desafios que alguns médicos encontram para empreender. -Santos no Ar (1.443807) Philipe ressalta que o início da carreira de médico não é fácil. “Na faculdade aprendemos a ser médicos, mas não aprendemos como sobreviver com a nossa especialidade do ponto de vista financeiro. Temos que aprender com a vida e isso é um desafio muito grande. Eu tive muita sorte porque meus pais me preparam para a vida e, quando me formei, entendia que precisava devolver para a sociedade o que eu já havia ganhado. Me inscrevi para a Marinha do Brasil e trabalhei como médico na Amazônia. Tive bastante tempo para entender a medicina como um negócio e acabei tomando as decisões mais acertadas”. Alexandre lembra que sempre quis ser médico. “Quando era criança preferia passear no hospital do que no shopping! Então, era uma escolha que já estava dentro de mim. Mas o mercado de trabalho na medicina é desafiador. Como o Philipe falou, a gente não aprende sobre negócios na faculdade e hoje a concorrência é muito grande. É preciso pensar nessa questão desde o início”. Philipe reforça que todo médico que se forma, se torna um empreendedor. “Abrir uma empresa não é algo tão simples, leva tempo. Eu sempre perguntava para os meus alunos o quê eles iriam fazer no dia seguinte da formatura. Falo sempre isso porque a gente não começa a trabalhar assim, de uma hora para outra. E muitos se frustram ou acabam se endividando. É preciso ter essa orientação. No dia seguinte da formatura, na maioria dos casos, estamos preparados para atender, mas não para empreender”. Philipe Saccab (Virgínia Costa) Gestão em saúde No momento, Philipe está migrando para a área de gestão em saúde. “Estou concluindo a minha MBA em gestão na Fundação Getúlio Vargas. Hoje já ocupo cargo de gestor no ‘Santa Saúde’ e estou cada vez mais me capacitando para enfrentar os desafios que vão existir daqui para a frente, entre eles, a incorporação de novas tecnologias, por exemplo. Acredito que a minha diferença como gestor, daqueles que já se formam gestores, é que participei de toda a linha do processo. Outro deaafio é se colocar no lugar de quem está sendo atendido. Trata-se de um ecossistema muito complexo, com várias nuances, diferentes modelos de contratação, a remuneração dos médicos não é igual e esses fatores estão sempre mudando”. A tecnologia na medicina vem avançando muito. Alexandre comenta sobre alguns testes que vêm sendo feitos em São Paulo com relógios para monitoramento de pacientes cardíacos. “Quando um paciente faz uma cirurgia cardíaca, por exemplo, normalmente fica uma semana no hospital. Hoje, estão fazendo testes em que a pessoa vai para casa em três dias usando um relógio que monitora e é capaz de identificar se algo não vai bem. São tecnologias que o gestor precisa estar atento”. Alexandre Catena (Virgínia Costa) Características de personalidade Alexandre acredita que as principais características de personalidade que o fazem se destacar na medicina são a liderança e a humanização. “Desde pequeno eu tenho essa questão da liderança e na faculdade sempre participei muito ativamente de tudo. E o médico precisa da humanização. Quem escolhe essa profissão pelo dinheiro está muito equivocado”. Philipe diz que a principal característica que acredita ter é a empatia. “Eu me coloco muito no lugar da pessoa que estou atendendo. A vitória do paciente é a minha vitória e a frustração também. Acho que esse é o meu lado positivo. Mas não posso só falar das minhas qualidades. Sou ansioso e hiperativo. Então, venho buscando maneiras para lidar com a minha ansiedade. Pratico regularmente exercícios físicos. Isso me traz paz. E algo que incorporei recentemente na minha vida foi me aproximar mais de Deus”. Atendimento médico Sobre o fato de muitos médicos atualmente focarem mais em exames laboratoriais do que clínicos e examinarem menos os pacientes, Alexandre é incisivo. “A clínica ainda é soberana. Auscutar o paciente, apalpar, ouvir o que ele tem para falar muda a conduta médica. Quando o paciente é bem examinado, normalmente são pedidos exames complementares e não uma batelada de exames desnecessários. Então, independentemente da tecnologia, o exame físico e a clínica são soberanos. A tecnologia vem para agregar e não para substituir”. Serviço Aproveitando a sua participação, o cardiologista Philipe Saccab dá algumas dicas de sintomas que podem indicar um possível infarto. “Pessoas com fatores de risco devem ficar mais atentas, como idosos, hipertensos, diabéticos, tabagistas e pacientes com colesterol alto. A dor suspeita de algo grave se apresenta na região do peito, de caráter opressivo, ou seja, um aperto com duração de cinco a dez minutos, acompanhada de sudorese fria. Ela pode irradiar para o braço esquerdo e para a mandíbula, e também pode vir acompanhada de falta de ar. Mas, em pacientes diabéticos, mulheres e idosos o infarto pode ser mais discreto. Então, essas pessoas precisam ficar atentas a esses desconfortos, mesmo que não sejam sinais muito intensos, assim como uma pequena falta de ar. Na dúvida, procure um pronto-socorro”. Dicas Para quem deseja seguir na carreira de médico, Alexandre recomenda que a profissão seja exercida com amor. “Faça medicina por amor. É possível ter sucesso na carreira, mas, se o trabalho não for feito com amor, a pessoa não vai ser feliz. E a medicina sempre vai exigir empatia e humanização”. Philipe diz que é muito feliz e realizado na medicina. “Eu devo tudo o que eu tenho à medicina. Acredito basicamente que é uma questão de envolvimento e entrega. Basta não tratar o problema do outro como se fosse só dele. E quando não houver solução, o mais importante é levar a informação de maneira que o sofrimento para quem está recebendo seja o menor possível. Para nós, médicos, a minha dica é sempre se colocar no lugar do outro. Fora isso, faça atividade física e se aproxime de Deus, porque isso vai fazer de você uma pessoa melhor”. Onde assistir? Além de poder conferir os episódios dentro do site de A Tribuna, o podcast Santos no Ar também estará disponível no Spotify e YouTube. *Esse podcast é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. 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