De acordo com Gesner Oliveira, o Brasil recicla 1,5% de água, mas poderia alcançar um índice entre 10% a 15% (Sílvio Luiz/AT) Recurso fundamental para a vida, a água vem sendo desperdiçada e poluída, sem que haja consideração por sua finitude. Por outro lado, iniciativas que valorizam esse item precioso já estão em andamento, caso do trabalho realizado pela Aquapolo Ambiental, que recicla a água e a disponibiliza para o uso industrial. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A Aquapolo nasceu como uma empresa 100% ESG em sua essência”, disse o CEO Marcio José, também presente ao terceiro encontro da Agenda ESG. “Pegamos uma parte da água tratada pela Sabesp e que depois seria descartada. Continuamos o tratamento, que resulta em água com qualidade praticamente potável”, explicou. Essa água é fornecida à indústria para ser utilizada em seus processos. Entre os benefícios, está a preservação das fontes naturais de água, já que as empresas usam a reciclada pela Aquapolo. “Há também um caráter social, uma vez que essas mesmas fontes naturais ficam disponíveis para a população e, ainda, há uma questão forte de governança ligada aos princípios do ESG”. Recicla pouco De acordo com Gesner Oliveira, o Brasil recicla 1,5% de água, mas poderia alcançar um índice entre 10% a 15%. “Essa seria uma diferença fenomenal do ponto de vista de segurança hídrica e diante de mudanças climáticas óbvias”, completou. Nesse contexto, Marcio apontou que existem estatísticas prevendo que cerca de 90% dos eventos climáticos extremos têm relação com a água, seja pelo seu excesso, como no caso de chuvas torrenciais, ou por sua falta. “De forma geral, as empresas que estão conectadas na Agenda ESG focam no mercado de carbono, nos gases de efeito estufa e na energia renovável. Sem desprezar essa preocupação muito importante e independente disso, precisamos olhar com mais carinho para a água porque é um recurso finito e que vem sendo muito maltratado”, avaliou Marcio. Cadeia de fornecedores tem responsabilidades A partir de 2026, as companhias de capital aberto vão precisar demonstrar em seus relatórios de sustentabilidade os riscos ambientais, sociais e climáticos para seus negócios. Essa situação vai puxar as empresas de capital não aberto e também vai demandar olhar para a cadeia de fornecedores. Então, é importante que a alta liderança avalie constantemente esse levantamento dos riscos e oportunidades da organização. Esse olhar para a cadeia de fornecedores já é exercitado na Santos Brasil. “Nós os ajudamos a atender todos esses requisitos. A ideia da companhia não é eliminar quem não entrega naquelas condições e sim ajudar em seu desenvolvimento até atingir o nível necessário”, explicou o diretor de Finanças e Suprimentos da Santos Brasil, Marcio Cristiano. “Esse objetivo só é alcançado com o engajamento e a convicção de que esse movimento é necessário. É um círculo virtuoso, que vai proporcionar um selo de qualidade para pequeno fornecedor local e desenvolvê-lo, tornando-o maior e melhor”.