Gesner Oliveira, economista e professor da FGV, diz que a parceria entre público e privado é o caminho (Alexsander Ferraz/AT) Será que estamos fazendo nosso dever como gestor de resíduos sólidos? A pergunta foi colocada pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), economista e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira que, ao lado da gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna, Arminda Augusto, mediou o encontro Agenda ESG. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A resposta dele à questão é negativa. “Acredito que seja uma pergunta pertinente em um ano de eleições municipais, em que medidas de gestão de resíduos sólidos urbanos precisam ser tomadas para efetivamente não haver o emporcalhamento das nossas cidades e do mar”, comentou. Para Gesner, “temos a tendência de fechar os olhos para o fato de que é preciso haver, de um lado, educação ambiental e, de outro, a necessidade de recursos para fazer a gestão de resíduos sólidos urbanos, mas ninguém gosta muito de falar disso porque é extremamente impopular falar da taxa do lixo”. Um segundo ponto colocado por Gesner é a necessidade dos cidadãos enfrentarem o tratamento tributário da reciclagem; no caso dos plásticos a mecânica e a química que, embora promissora, não é trivial e precisa de investimentos. “Nós tratamos tributariamente da mesma forma matéria virgem e reciclada? Não, a segunda é mais cara. Precisamos acordar e, enquanto consumidores, estimular o produto reciclado que não agride o meio e exigir dos nossos administradores e dos nossos legisladores uma legislação condizente com a economia circular, que ainda não temos”. Para ele, esses dois pontos são fundamentais e estão associados à agenda 2030, tema escolhido para esta edição do evento do Grupo Tribunae com os dois próximos encontros já marcados para 17 de outubro e 19 de novembro. Apoio ao terceiro setor é caminho O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4, relacionado à educação e capacitação, também está entre as práticas das empresas participantes do encontro da Agenda ESG do Grupo Tribuna. A Santos Brasil mantém parceria com o Instituto Gremar por meio do projeto Rede de Mulheres pela Vida Marinha, voltado para mulheres de comunidades pesqueiras da Baixada Santista. Essa iniciativa tem como objetivo gerar renda para essas famílias e sensibilizar os participantes sobre os impactos positivos ao meio ambiente com a destinação correta dos materiais. Ainda relacionado a esse ODS, há o projeto Ecoviver da EcoRodovias, um trabalho educativo e artístico desenvolvido para difundir e estimular a conscientização ambiental nas comunidades e junto a alunos do Ensino Fundamental na região de atuação da Ecovias. Já a Fundação Toyota patrocina o Projeto ReTornar, conectado ao ODS 12 (Consumo e produção responsáveis). Itens como airbags, tecidos automotivos, uniformes e cintos de segurança que seriam descartados pela Toyota do Brasil são usados como matéria-prima pela Cooperativa Uni Arte Costura, de Indaiatuba, e da Associação Social Comunidade de Amor (ASCA), de Sorocaba. Com esses resíduos, a cooperativa confecciona produtos como capas para notebook, roupas para pets e mochilas. Os 17 objetivos do desenvolvimento sustentável A Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) é um plano global adotado em 2015 por 193 países-membros, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável em suas dimensões social, econômica e ambiental. A iniciativa se baseia em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas, que buscam erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente, reduzir desigualdades e garantir a paz e prosperidade para todos. Os ODS incluem temas variados, como educação de qualidade, igualdade de gênero, combate às mudanças climáticas, energia acessível e limpa, entre outros. A meta é que até 2030 os países alcancem um progresso significativo nesses setores, promovendo um desenvolvimento inclusivo e sustentável. Diferente dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que focavam principalmente em países em desenvolvimento, a Agenda 2030 busca uma abordagem universal, envolvendo todos os países na implementação das metas. Cada governo tem a responsabilidade de adaptar as diretrizes globais às suas realidades locais, promovendo políticas que integrem os ODS em suas estratégias nacionais. A implementação da Agenda 2030 exige cooperação global e esforços coordenados entre governos, setor privado e sociedade civil, ressaltando a importância de parcerias multissetoriais. A ONU monitora os avanços dos países por meio de relatórios periódicos, buscando garantir que ninguém seja deixado para trás neste processo de transformação global. Com esse esforço conjunto, a Agenda 2030 visa promover um mundo mais justo, equilibrado e sustentável para as gerações futuras. A Agenda 2030 também incentiva a inovação e a utilização de tecnologias limpas como pilares para o desenvolvimento sustentável. O uso de energias renováveis, a digitalização de processos produtivos e a adoção de soluções tecnológicas para a agricultura e a indústria são apontados como estratégias essenciais para reduzir a pegada ecológica dos países, além de promover o crescimento econômico de forma mais equitativa. Essas medidas são especialmente importantes para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, um dos temas centrais da agenda global. Outro ponto crucial é o fortalecimento das instituições e a promoção da governança transparente e inclusiva. A Agenda 2030 reconhece que o desenvolvimento sustentável só será alcançado se os países promoverem sociedades pacíficas, justas e inclusivas, com instituições eficazes e responsáveis.