Brasil está entre os 20 primeiros na publicação de relatórios de sustentabilidade (AdobeStock) O alinhamento do Brasil com as práticas ESG se reflete na publicação dos relatórios de sustentabilidade. Os documentos trazem informações que seguem padrões internacionais e são excelente ferramenta para a empresa mostrar como sua liderança entende e gerencia aspectos dessas áreas nas suas operações. O País subiu do 27º para 19º lugar, ou seja, oito posições, no ranking geral da KPMG, um das maiores no ramo de auditoria e consultoria do mundo. O estudo, chamado “A mudança para relatórios obrigatórios: Pesquisa de Relatórios de Sustentabilidade 2024”, analisou documentos das 100 maiores empresas de 58 países. “Essa marca indica que o Brasil continua melhorando nesse ranking global sobre como as 100 maiores grandes empresas de 58 países reportam sobre as questões sociais, ambientais, éticas e de governança. Demonstra que elas têm uma atitude bastante madura em relação a essa agenda. É uma boa notícia para os brasileiros, investidores, reguladores e especialistas em ESG”, afirma a sócia-líder de ESG para a KPMG nas Américas, Nelmara Arbex. Não bastasse isso, a edição do estudo mostrou que 93% das 100 companhias brasileiras analisadas publicaram relatórios no ano passado - um aumento de 7 pontos percentuais em relação a 2022, quando foi registrado o índice de 86%. Foi o maior desde o início da análise. Por outro lado, houve queda de 23 pontos percentuais na divulgação da informação sobre mudanças climáticas e seu impacto nos negócios, caindo de 75% para 52%. O levantamento apontou ainda que 92% dos relatórios apresentam análise de materialidade, 76% reconhecem a perda de biodiversidade como um risco para os negócios e 89% divulgam metas de redução de emissões de carbono. Além disso, dados mostram que 75% das empresas buscam segurança para informações ESG/sustentabilidade. Perspectivas As perspectivas nesse ranking para o futuro, segundo Nelmara, em termos brasileiros e mundiais, é o aumento dessas publicações sobre as atividades realizadas, os sistemas de gestão, com dados em relação aos impactos que elas causam no meio ambiente e na sociedade. “A tendência global é que esse tipo de informação seja cada vez mais comum e que os relatórios de sustentabilidade fiquem cada vez mais disponível para quem se interessar”, afirma. Sócio-fundador da Grupo Report, que também desenvolve serviços em consultoria, comunicação e conhecimento, Estevam Pereira reforça que a agenda de sustentabilidade continua forte, apesar das medidas recentes contrárias ao tema promovidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Permanece forte porque faz sentido para os negócios. Boa parte da sociedade já está sentindo os efeitos das mudanças climáticas. Não tem como negar os recordes de temperatura em todo o mundo, as enchentes no Rio Grande do Sul e os incêndios na Califórnia. Isso tudo tem impacto financeiro. Portanto, empresas comandadas por lideranças inteligentes sabem que a agenda da sustentabilidade e do ESG é inescapável, mesmo que tenha que usar outras palavras para se referir a esses temas”, argumenta. E mais O levantamento feito pela KPMG apontou ainda que 92% dos relatórios apresentam análise de materialidade, enquanto 76% reconhecem a perda de biodiversidade como um risco para os negócios e 89% divulgam metas de redução de emissões de carbono. País supera economias consolidadas e se fortalece Dos 58 países listados no ranking de nações que divulgaram relatório de sustentabilidade, em 2024, Brasil ficou à frente de 39, entre elas, Nova Zelândia (92%), Portugal (91%), Paquistão e Suíça (com 90%) e Peru e Polônia (89%). Além disso, empatou com a Noruega e Itália com 93%. Liderando a lista, com 100%, estavam outros 14: Tailândia, Singapura, África do Sul, Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Malásia. A Venezuela fechou o ranking com 10%. “Superar economias consolidadas e reconhecidas por suas práticas empresariais avançadas fortalece a posição do Brasil como um mercado confiável e competitivo. Esse avanço amplia a capacidade do país de atrair investimentos e firmar parcerias estratégicas com players globais que valorizam transparência, governança e sustentabilidade”, analisa a cientista social e política com especializações em ESG Camila Diniz de Almeida Barboza. O aumento na publicação de relatórios de sustentabilidade reforça essa evolução, segundo a especialista, evidenciando um alinhamento cada vez maior das companhias brasileiras com as exigências ambientais, sociais e de governança. “Esses fatores têm se tornado determinantes para decisões de investimento e parcerias estratégicas, colocando as empresas que adotam essas práticas em posição de vantagem competitiva. Ao se aproximar de economias altamente reguladas, o Brasil sinaliza uma adaptação eficaz às demandas globais, fortalecendo sua competitividade e abrindo espaço para maior integração em cadeias produtivas sustentáveis e inovadoras”, justifica. Exemplo Além da realização da COP 30 neste ano, em Belém, um exemplo concreto desse avanço é o Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, observa Camila. Trata-se do primeiro da América do Sul a integrar o programa de certificação ambiental da International Air Transport Association (IATA), o IEnvA. Esse programa visa mapear impactos ambientais e oferecer ferramentas para melhorar o desempenho sustentável dos aeroportos. “Ao obter essa certificação, o Galeão se alinha a padrões internacionais de sustentabilidade e reforça o posicionamento do Brasil no cenário global. Esse tipo de iniciativa demonstra como o setor empresarial brasileiro vem incorporando critérios ESG, priorizando eficiência energética, redução de emissões e mitigação de impactos ambientais”, explica.