Agenda ESG em Santos: investimentos podem elevar capital ambiental do País

Empresas devem aplicar recursos nas questões ambientais, sociais e de governança

Por: Anderson Firmino  -  26/10/22  -  10:38
Evento no Grupo Tribuna discutiu a agenda ESG
Evento no Grupo Tribuna discutiu a agenda ESG   Foto: Fabrício Costa

O Brasil tem grande capital ambiental, que pode colocá-lo em posição privilegiada perante ao resto do mundo no quesito sustentabilidade. Porém, apostar apenas na vocação, com bons recursos naturais, pode não ser suficiente: é preciso investimento em diversos segmentos.


Essa é a mensagem do segundo encontro do projeto Agenda ESG, realizado na tarde desta terça-feira (25) no auditório do Grupo Tribuna. Com mediação da gerente de Projetos e Relações Institucionais do grupo, Arminda Augusto, e do professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira, o debate abordou a possibilidade de o Brasil se tornar uma potência ambiental.


“As oportunidades do Brasil nessa agenda são muitas, não só na parte energética, mas na economia como um todo, nesse mundo que está em transição para uma economia de baixo carbono”, afirma o CEO da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, Carlo Pereira. “Muitos falam da vocação natural do País. Mas vejamos o etanol, por exemplo: foi uma decisão do País, da sociedade brasileira, de desenvolver esse combustível. Além disso, temos estabelecido, dentro das universidades e empresas, uma capacidade inacreditável de inovação. Está bem fácil de a gente ser líder nessa agenda toda”, complementa.


O vice-presidente da Braskem, Edison Terra, vê o Brasil como um dos destaques do Pacto Global da ONU. “Tem muitas empresas engajadas, mas sempre há espaço para fazer um pouco mais. Acho que esse intercâmbio é uma boa forma de troca. Sempre digo que, quando a gente tem iniciativas para problemas complexos, ninguém vai resolver sozinho. Contamos com academias de ciência, startups, agentes de inovação e públicos.”


Ganho social


A preocupação direta com as pessoas também baliza as boas práticas de ESG (ambientais, sociais e de governança). Uma delas é o investimento em ações de saneamento básico.


Para José Guilherme Souza, head de Investimentos em Infraestrutura e sócio da Vinci Partners — empresa que, recentemente, assumiu parceira com a empresa Águas do Brasil em um dos blocos no leilão da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) —, investir no setor de água e saneamento é “ESG na veia”. “O investimento traz um impacto de forma muito clara e rápida. Água potável e tratamento dos resíduos de forma adequada levam dignidade às pessoas”, analisa.


Práticas


Mais do que uma preocupação legítima e uma exigência do mercado (investidores e público consumidor), as práticas ESG podem oferecer uma oportunidade de bons negócios. É o caso de bancos que, além de aplicar no dia a dia as boas práticas, buscam ajudar a fomentar essa filosofia.


“A principal mudança que aconteceu no setor financeiro foi deixar de olhar a questão do clima como uma análise pura de risco e, sim, como oportunidade de negócio. Começa a criar instrumentos para financiar essas atividades, mobilizar recursos. Porque qualquer grande transformação requer investimentos”, explica a head de Negócios ESG do Itaú, Luiza de Vasconcellos.


Nelmara Arbex, sócia-líder de ESG na KPMG Brasil, analisa a questão do ESG de forma global, com o impacto na cultura das empresas.


“As grandes empresas já têm esse tema há mais tempo, Muitas vezes, a gente pensa que empresas menores não vão precisar pensar nisso. Mas, ao fazerem parte das cadeias dessas grandes empresas, o assunto chega a elas também.”


Clima e negócios


Silvia Azuma, gerente de Segurança, Saúde e Meio Ambiente da Rumo, disse que a busca pela eficiência energética é um objetivo: até 2030, redução de 21% nas emissões de gás carbônico. Além disso, há preocupação com as mudanças climáticas e seus efeitos.


“Somos transportadores de agronegócio e, se afeta na ponta (produção), afeta o transporte também. Por isso, fazemos estudos, para identificar em quais locais de risco intervir antes e impedir que o impacto aconteça”, pontua. “Queremos, até 2025, ter rastreabilidade total de nossa carga.” (AF)


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