Último encontro do ano do evento Donas do Negócio reuniu várias empreendedoras da Baixada Santista no auditório do Grupo Tribuna (Alexsander Ferraz/ AT) O último encontro do Donas do Negócio no ano, realizado pelo Grupo Tribuna nesta quinta-feira (29) à noite, discutiu a liderança feminina e a construção de marcas. Uma das palestrantes, Traudi Guida, de 77 anos e fundadora da marca Le Lis Blanc, deixou claro que considera o etarismo um absurdo.“Quero servir de exemplo para as mulheres mais velhas”, diz. Já Val Pedrosa, diretora de Gente e Cultura na TV Integração, afiliada da TV Globo no Triângulo Mineiro, mergulhou o público na sua própria jornada que gerou o Movimento C, cujo objetivo é construir líderes mais conscientes. O evento, que é realizado no auditório do Grupo Tribuna, conecta empreendedoras de diversas áreas da Baixada Santista. Espontânea e bem humorada, Traudi contou sua história de 50 anos no varejo. A infância simples não foi empecilho para a paixão pela estética. Autodescrita como de bem com a vida independente das condições, a paulistana aprendeu desde cedo a se vestir bem com pouco dinheiro. Na época, os clientes compravam os tecidos e pediam para suas costureiras reproduzirem os figurinos da moda. Logo, tratou de descobrir uma costureira talentosa, de confiança e acessível, ainda que do outro lado de São Paulo. A dedicação e paixão pelos próprios figurinos fizeram com que Traudi chamasse atenção nas ruas paulistanas. Tanto que, um dia, enquanto já cursava Direito - que odiava - recebeu proposta para ser vendedora por meio período em uma loja na Rua Augusta. Nunca tinha vendido um alfinete, mas não pensou duas vezes. “Eu nunca deixei oportunidade nenhuma escapar. Nunca deixei de atender nenhum fornecedor, mesmo quando a Le Lis já era grande”. Essa foi a principal estratégia que a levou a ser uma das pioneiras do conceito de lojas de ponta de estoque no Brasil. “Seja curiosa. Tudo o que vier na sua frente, mesmo que não te interesse, não deixa de receber, porque muita coisa acontece”, aconselhou às participantes. Val Pedrosa Val Pedrosa começou com um “mergulho” ao redor de um iceberg projetado no auditório. Segundo ela, ter consciência de si é fundamental para compreender o mundo. Quando as crises de pânico começaram a virar rotina, Val conta que foi preciso parar e analisar suas limitações e preconceitos. “O mundo externo é um reflexo do mundo interno. O medo e a insegurança fazem a gente competir de um modo ruim”, contou ela no evento. “Do outro lado desse mergulho, surgem as lideranças conscientes. São aqueles que romperam suas bolhas pessoais. E assim vamos ter um time de pessoas que nos seguem não porque eu estou mandando, mas porque elas estão inspiradas”. Val afirma que um líder inspirador, antes de tudo, é vulnerável, o que permite que seu pessoal colabore com ele. “A vulnerabilidade é a força que conecta a gente como time. Não ter a resposta é o primeiro passo para a gente aprender e para dar ao time a oportunidade de alcançar o espaço que é dele. Antes, eu ocupava o meu espaço e de mais umas 30 pessoas”.