[[legacy_image_288869]] Uma raquete de madeira pode funcionar como uma máquina do tempo. Pois o modelo Maxplay, da Dunlop, transportou a aposentada Ione Maria Domingues de Castro, de 67 anos, para o saibro do Tênis Clube de Santos, onde, nos anos 1960, somou algumas conquistas do A Tribuna de Tênis (anteriormente chamado de Campeonato Infanto-Juvenil de tênis). Hoje, às portas de mais uma edição da disputa, o olhar saudosista dá o tom e enche de orgulho a quem voltou a empunhar a velha companheira de madeira. Ela não entrará em quadra este ano, mas reforça o carinho pela competição. “Meu primeiro título foi em 1967, na categoria de 9 a 12 anos. Lembro de ter enfrentado a Fernanda Carvalho, que estudava no Colégio Stella Maris comigo. A partida teve a Júlia Figueiredo como árbitra”, descreve Ione, apontando registro de A Tribuna daquele embate. “Eu tinha uma tia, a Zuleika (de Oliveira Leite Rollo, um dos grandes nomes do esporte santista), que levou todos os meus primos para torcer. Como não era ligada ao tênis, onde não se pode torcer com muito entusiasmo, reuniu meus primos para torcer por mim. Era bem ruidosa. Do outro lado, a tia da Fernanda também torcia. Foi engraçado”, conta a aposentada. “Minha torcida era paga com doces (risos)”. O gosto pelo tênis pegou Ione de jeito. Vieram outras conquistas na tradicional competição. Mas a vida ofereceu outras rotas para ela, que cursou Medicina e, posteriormente, Direito. Ainda jogou junto aos futuros médicos, mas não chegou a se profissionalizar. “Fui tetracampeã no infantil do Tênis Clube. Em 1971, uma reportagem falava sobre minha saída das quadras. Fiz vestibular para Medicina e me afastei totalmente do esporte. Minha especialidade era pediatria. Depois de muitos anos, fui fazer Direito, doutorado na USP em Direto à Saúde”, descreve. Mas tudo isso sem deixar de acompanhar o que acontecia na modalidade - como a ascensão do sueco Bjorn Borg, hexacampeão em Roland Garros e adepto das raquetes de...madeira. Reencontro com a velha amigaIone, que mora próximo perto do Tênis Clube, conta que, durante a pandemia, via as pessoas praticando tênis mesmo com máscaras. Foi a senha para que retornasse às quadras. Um amor revisitado. “Hoje, tenho 67 anos estou acima do peso, tenho problemas no joelho, e não consigo correr muito. Mas falei para o professor: se me jogar a bolinha na mão, dá jogo. A direita está em dia, mas sempre com a bolinha na mão. É como andar de bicicleta: quem aprende, não esquece”, resume. O alerta sobre o risco de ter problemas no pulso não intimidou Ione. Mesmo mais pesada, com aro menor, a raquete ainda é a favorita da tenista, que segue antenada com a modalidade. “Estou totalmente aposentada, e sempre acompanhei o tênis. Hoje, vou aos jogos do A Tribuna quando o filho de uma amiga minha joga. Torço, mas competir não dá mais”, encerra.