Mobilidade: Em 2030, seis de cada 10 pessoas estarão vivendo em áreas urbanas

Os problemas não decorrem do pouco espaço nas ruas ou apenas porque não existem linhas de metrô ou ônibus suficientes

Por: ATribuna.com.br  -  06/11/22  -  21:22
O crescimento da população traz uma grande preocupação
O crescimento da população traz uma grande preocupação   Foto: Alexsander Ferraz/AT

O crescimento da população traz uma grande preocupação. Em 2030, seis de cada 10 pessoas estarão vivendo em áreas urbanas – no caso, são as definidas pela ONU como cidades com população maior do que 10 milhões. A projeção para dali a duas décadas – ou seja, 2050 – prevê aumento: serão sete de 10.


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“Os problemas de mobilidade urbana não decorrem do pouco espaço nas ruas ou apenas porque não existem linhas de metrô ou ônibus suficientes, mas essencialmente porque há um erro de planejamento urbano nas cidades”, afirma Sergio Avelleda, professor do Insper, ex-presidente do Metrô SP e ex-secretário de Mobilidade e Transporte da cidade de São Paulo.


Ele foi um dos convidados do primeiro painel sobre mobilidade urbana, tema do fórum A Região em Pauta. O evento foi realizado no auditório do Grupo Tribuna, com mediação de Arminda Augusto, gerente de Projetos e Relações Institucionais do Grupo Tribuna. Além de Avelleda, também participou desta primeira parte Milton Gonçalves da Luz, diretor-executivo da Agem. Ele apresentou as linhas gerais do Plano Regional de Mobilidade Sustentável e Logística para a Região, a ser revelado na íntegra em dezembro (mais detalhes na D-8).


Dentre os eixos, estão contempladas as bicicletas, em que existe estudo para se implantar uma ciclovia metropolitana, e o transporte coletivo integrado. “Seja com uma empresa só ou com a ligação entre as que já existem (de ônibus), desde que os permissionários se conversem e se entendam”, disse Gonçalves.


Bicicletas
Falando em bicicletas, Jessé Teixeira Félix, presidente da Associação Brasileira de Ciclistas, também foi chamado a falar como um convidado especial. Presença constante no A Região em Pauta, ele entende muito dos assuntos que envolvem duas rodas e pedais.


“Gostaria que esse plano (Regional de Mobilidade Sustentável e Logística para a Região) não ficasse somente como mais um”, afirma Jessé, que está passando o bastão do comando da entidade no final do ano e passará a trabalhar com a frente dos ciclistas da Baixada Santista.


Integração
Fizeram parte do segundo painel Raquel Chini, prefeita de Praia Grande e presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb); Caio França, deputado estadual reeleito (PSB) e coordenador da Frente Parlamentar de Apoio à Região Metropolitana da Baixada Santista; Fábio Coelho, chefe do Departamento de Fiscalização da EMTU, e Gontran Parente, diretor da SP Hidro – este último falou de um projeto de transporte de massa a partir das vias navegáveis da região.


Já em meio às ruas e avenidas, a intenção é integrar cada vez mais o transporte coletivo na Baixada Santista. E as atuações do Governo do Estado e dos deputados eleitos pela região são fundamentais. “Se tem uma pauta metropolitana de fato é a mobilidade, porque as pessoas moram aqui, estudam ali e namoram com uma pessoa de outro local”, afirma Caio França.


Barcelona e Atlanta
As cidades de Barcelona, na Espanha, e Atlanta, nos Estados Unidos, guardam semelhanças por terem abrigado os Jogos Olímpicos de 1992 e 1996, respectivamente. Na mobilidade urbana, porém, há um oceano de diferenças além do Atlântico, que separa o continente americano do europeu.


As duas possuem quase a mesma população: Barcelona, com 5 milhões, e Atlanta, com 5,26 milhões. As manchas urbanas, porém, são muito distintas. Enquanto o município norte-americano, maior do estado da Geórgia, precisa de 7.692 km2 para acomodar seus habitantes, o da Espanha, o primeiro da região da Catalunha, necessita de apenas 648 km2 - menos de 10% de Atlanta.


“Nós vamos ter 6,9 toneladas de CO2 emitidas por habitante por ano em Atlanta, enquanto a taxa em Barcelona é de 1,2 tonelada”, afirma Sergio Avelleda, professor do Insper, ex-presidente do Metrô SP e ex-secretário de Mobilidade e Transporte da cidade de São Paulo.


Transporte


Transporte
A relação das cidades com o automóvel explica a realidade de cada uma. Em Atlanta, o transporte por automóvel corresponde a 77% das viagens, enquanto em Barcelona só 20%. Com isso, o transporte público ganha muita força na cidade espanhola (33% contra 3% do município norte-americano). A disparidade também se estende à bicicleta (12% de Barcelona contra 0% de Atlanta) e à caminhada (35% contra 0%).


“Imagine aquelas cidades que a gente vê nos filmes americanos em que para comprar um pão, um remédio ou ir ao supermercado todo mundo têm que ir de carro porque um bairro está muito longe do outro”, contextualiza Avelleda.


As diferenças entre os números fazem com que Barcelona tenha baixa quantidade de acidentes de trânsito por ano em relação à Atlanta: 31 contra 564.


“Uma cidade com problemas de mobilidade urbana tem problemas de planejamento urbano, que espalhou a região das moradias para cada vez mais longe, que construiu bairros de uso exclusivo, como residenciais, comerciais e industriais. Tudo um longe do outro, obrigando as pessoas a viajarem todo dia para trabalhar”, afirma.


Já Barcelona é uma cidade que possui tudo agregado em um único lugar, com quadras densas e edifícios grudados uns nos outros, com comércio, serviços e residências no mesmo local. “As pessoas moram concentradas e conectadas, o que resulta na mobilidade muito mais sustentável”, completa Avelleda.


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