Escritor Marcos Martinz fala das dificuldades de adolescentes dentro das escolas

"Maior desafio foi olhar para mim e entender que não tinha nada de errado comigo", disse, no evento do Grupo Tribuna

Por: Da Redação  -  06/11/23  -  00:30
Nona edição do ano do fórum teve como tema Educação Adolescente e abordou vários assuntos, como bullying, tecnologia, saúde mental, depressão e relacionamento entre pais e filhos, que enfrenta desafios
Nona edição do ano do fórum teve como tema Educação Adolescente e abordou vários assuntos, como bullying, tecnologia, saúde mental, depressão e relacionamento entre pais e filhos, que enfrenta desafios   Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Meu maior desafio, na adolescência, foi olhar para mim e entender que não tinha nada de errado comigo, com meu corpo, a voz, minha altura…”. A declaração do escritor Marcos Martinz, proferida no primeiro painel da nona edição do ano do projeto A Região em Pauta, evidencia as dificuldades enfrentadas por jovens, principalmente dentro das escolas. Bullying, depressão, problemas para externar sentimentos, agressões e até suicídio são realidades comuns, algumas experimentadas pelo artista, hoje com 22 anos. Todas foram abordadas no evento, que ocorreu na última terça-feira e teve como tema Educação Adolescente.


Não é à toa que a história de Martinz abre este caderno especial. Trata-se de um jovem, morador de Santos, que sofreu nos ensinos Fundamental e Médio. Como convidados do fórum destacaram, ele personifica os desafios do público teen.


Eis seu relato: “Aos 14, 15 anos, sofria muito bullying na escola. Pegavam no meu pé por causa do meu jeito, porque eu mexia muito a mão, era muito expressivo. Falavam: ‘Não anda com ele, não’ ou ‘viram como o Marcos engordou ou emagreceu?’. Na época, eu queria tomar remédio para crescer, mas, antes, eu gostava de quem eu era, do meu reflexo no espelho. Cheguei ao ponto de olhar no espelho e falar: ‘Putz, não tô gostando disso aqui’. Acabei desenvolvendo depressão na adolescência. O ápice foi aos 16 anos. Por não conseguir falar sobre o que sentia, infelizmente, estava muito doente e tentei suicídio — o índice de suicídios é tão grande entre jovens hoje em dia…”.


A trajetória do escritor não parou ali, claro. Ele conseguiu se reerguer e sair do fundo do poço, e isso graças à arte. “Se eu não conseguia falar, escrevia. Foi aí que fiz meu primeiro livro: Até que a Morte nos Ampare, que fala de valorização da vida e combate à depressão através da fantasia. Agora, visito escolas, palestrando sobre o tema do livro”.


Tem mais. Ele seguiu dizendo que “se não fosse a arte, não me permitiria abraçar minha esquisitice — ‘esquisito’ era meu apelido na escola”. Recuperado e vencedor diante de tudo que enfrentou, disse: “A esquisitice pode fazer você dominar o mundo”.


Porém, como será visto nas próximas páginas, muitos não acham uma saída como aquela que Martinz encontrou. Por isso, o jovem fez uma ponderação: “Falamos muito sobre a criança interior, mas e o adolescente interior? Como cuidamos?”.


Agora, seja palestrando, escrevendo ou de outras formas, o artista tenta ajudar aqueles que enfrentam os mesmos fantasmas que ele venceu. Independentemente da maneira como estende as mãos ao próximo, o que deseja é não ficar mais em silêncio, até porque sua fala, por si só, cheia da autoridade de quem superou os obstáculos, faz bem a muitos, inclusive a ele próprio.


“É um processo terapêutico estar com a galera. É olhar para aquele Marcos, que estava doente, e ver este Marcos entre as pessoas”, falou.


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