Ensino Técnico aumenta as chances no mercado de trabalho, diz pesquisa

Segundo estudo, seis em cada dez empresas apontam o curso profissionalizante como diferencial para selecionar um jovem

Por: ATribuna.com.br  -  12/11/23  -  10:35
egundo estudo, seis em cada dez empresas apontam o curso profissionalizante como diferencial
egundo estudo, seis em cada dez empresas apontam o curso profissionalizante como diferencial   Foto: FreePik

Tabu, preconceito e falta de conhecimento. Em um País com mais de 5 milhões de jovens entre 14 e 24 anos desempregados, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, a saída para encontrar uma vaga no mercado de trabalho pode estar mais próxima do que se imagina. Enquanto para a maioria o foco está na universidade - ainda que 80% não alcancem este objetivo -, há um grande aliado capaz de estreitar o caminho dos jovens até o primeiro emprego: o Ensino Técnico. Se você acredita que a educação profissionalizante é um substituto inferior do Ensino Superior, já passou da hora de rever os seus conceitos para não perder a chance de vencer a concorrência.


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De acordo com a pesquisa “Inclusão produtiva de jovens com Ensino Médio e Técnico: experiências de quem contrata”, realizada pela Fundação Roberto Marinho, Itaú Educação e Trabalho e Fundação Arymax, jovens de 18 a 27 anos com Ensino Técnico completo têm mais chances de terem ocupações profissionais (81,1%) e de contribuir com a previdência (72,7%) do que aqueles que têm somente o Ensino Médio completo (76,8% e 62,5%, respectivamente). Além disso, o estudo revela que as oportunidades de emprego formal são maiores para jovens com Ensino Técnico completo (59%) do que para os jovens que possuem apenas o Ensino Médio (51,4%).


E não para por aí. Os dados também apontam que seis em cada dez empresas consideram a formação técnica um diferencial para selecionar um jovem funcionário. A permanência na companhia também é impactada, quando se trata de colaboradores com ensino profissionalizante. Segundo 42% dos entrevistados, esse grupo permanece mais tempo e evolui de cargo. Isso sem contar que 61% das empresas tem algum gestor cujo ingresso foi como um jovem com formação técnica em nível médio.


Apesar do cenário promissor gerado para aqueles que optam pelo ensino técnico, o número de brasileiros matriculados na educação profissional e técnica representa só 8% dos estudantes atualmente, índice que é de 46% na União Europeia e 40% nos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Há algumas análises para essa aparente contradição, conforme explica a gerente de gestão do conhecimento do Itaú Educação e Trabalho, Carla Chiamareli. Entre as causas para essa baixa adesão estão oferta e demanda, e desconhecimento dos jovens em relação ao tema.


O próprio Itaú Educação e Trabalho, junto à Fundação Roberto Marinho, comprovou este fato em outro questionário realizado há dois anos. Na ocasião, foi constatado que 78% dos entrevistados desconheciam ou conheciam pouco sobre a educação técnica. No Estado de São Paulo, o percentual foi similar (71%). Vale destacar que 56% dos respondentes eram moradores da Baixada Santista. Ao mesmo tempo, ao serem consultados sobre a chance de cursar uma trajetória técnica, 69% (Brasil) e 72% (SP) consideram essa possibilidade.


“O baixo percentual de matrículas da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) em relação ao ensino médio reflete a falta de políticas públicas intersetoriais que fomentem o ensino técnico como etapa inicial da formação para a vida. Para mudar este cenário, é preciso investir na expansão com qualidade dessa modalidade de ensino, para que seja incorporada de forma prioritária na agenda pública educacional, principalmente por estarmos ainda com a vantagem do bônus demográfico, ou seja, ainda temos mais jovens que idosos na população brasileira”, afirmou Carla.


Ela destaca, ainda, que a EPT, nesse contexto, é fundamental pelo potencial de transformação socioeconômica que pode promover ao contribuir para uma inserção digna no mundo do trabalho, facilitar a transição da vida escolar para a vida profissional e estimular a continuidade dos estudos. “O fortalecimento da Educação Profissional e Tecnológica é um compromisso que deve ser assumido pelo poder público, setor privado, redes de ensino e sociedade em geral, colocando as juventudes no centro do plano de desenvolvimento do país”.


Para a gerente, também é fundamental enfatizar que a educação técnica de nível médio e o ensino superior são complementares e não concorrentes, ou seja, o fato de o estudante optar por um ensino médio técnico não exclui e nem tira a importância de seguir os estudos em nível superior e pós-graduação. Pelo contrário. Dados evidenciam que o ensino técnico favorece o interesse em dar continuidade ao processo de aprendizado. Conforme identificado pelo Insper, dos jovens que cursam o ensino médio técnico, 34,58% seguem para o Ensino Superior. Enquanto entre os concluintes do ensino médio tradicional, apenas 27,4% seguem para a graduação.


Etec
Ao atuar no dia a dia do ensino profissionalizando brasileiro, o diretor da Escola Técnica Estadual (Etec) Escolástica, em Santos, Thiago Pedro de Abreu, garante que a formação técnica permite a vivência prática daquilo que será encontrado no mercado, favorecendo assim a inserção de profissionais cada vez mais preparados. “Isso é um fator muito importante, levando em consideração a competitividade cada vez maior em todas as áreas de formação”. No entanto, ele também observa a necessidade de maior disseminação de informações relacionadas a essa fase escolar.


“Muitas vezes, as pessoas acreditam que somente os cursos de graduação oportunizam boas formas de trabalhos e de renda. E, essa questão precisa ser mais bem trabalhada entre os jovens e todos aqueles que buscam oportunidades profissionais. Muitas áreas técnicas ofertam oportunidades onde profissionais de nível técnico ganham mais do que aqueles que possuem graduação”. Abreu reitera que as possibilidades de cursos e vagas precisam ser mais bem divulgadas em todas as áreas e instituições de ensino.


“As escolas precisam abrir mais suas portas para a comunidade, mostrando aquilo que é desenvolvido dentro dos espaços educativos e, as diferentes possibilidades que existem nos diversos cursos que ofertam. É preciso também se pensar em políticas públicas que trabalhem estas questões, divulguem e incentivem a realização dos mesmos e, que gerem mais e mais oportunidades para aqueles que mais precisam. Quanto mais mão de obra qualificada, mais se impulsiona a economia e, consequentemente nosso país”.


Atualmente, na Etec Dona Escolástica Rosa, além das turmas de Ensino Médio integrado ao Técnico (MTec), é oferecida uma modalidade chamada AMS (Articulação do Ensino Médio com o Ensino Superior) em Administração e Logística. Nessa modalidade, nos três primeiros anos os alunos realizam o Ensino Médio integrado ao Técnico (além de diversas atividades em empresas parceiras) e, depois, cursam mais dois anos de Ensino Superior Tecnológico na Faculdade de Tecnologia da Baixada Santista. Isso significa que em 5 anos, os alunos estão formados no Ensino Médio, no Ensino Técnico e no Superior Tecnológico.


“Acredito que é necessário mais compromisso do setor produtivo, das organizações, na qualificação técnica, para que possamos cada vez mais estar formando pessoas que atendam a esta demanda. Esse é o futuro. O trabalho não é e, não será fácil. É um grande desafio onde nós que trabalhamos com a formação técnica profissional estaremos sempre dispostos a atuar em conjunto e complementariedade, para cada vez mais produzirmos profissionais mais bem capacitados”, finalizou Abreu.


Denis Aguiar, hoje com 46 anos, é um exemplo de como o Ensino Técnico pode ser a base de uma carreira profissional bem-sucedida. Apesar de ter sentido falta de dar continuidade aos estudos na universidade, ele afirma que a formação técnica supriu as suas necessidades, pois segue trabalhando na área escolhida. Aguiar estudou projetos mecânicos na Etec Lauro Gomes, em São Bernardo do Campo.


“O ensino profissionalizante abre portas e certamente eu indico que os jovens sigam por esse caminho. Eu arrumei emprego antes mesmo de terminar o curso e, desde então, tive boas oportunidades. As principais vantagens de sair do ensino médio com alguma formação é exatamente isso, ingressar no mercado mais cedo, consequentemente ficamos mais independentes e alavancamos a carreira o quanto antes. Não me arrependo, muito pelo contrário, foi uma escolha acertada”.


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