Primeiro fórum deste ano contou com estudantes e educadores, tendo como tema Educação e Tecnologia (Sílvio Luiz/AT) Difícil. Assim os alunos classificam este início de ano letivo, no qual passou a vigorar a Lei Federal 15.100/2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto restringe o uso de celulares, para fins pessoais e não pedagógicos, em todos os estabelecimentos de ensino do País. O reconhecimento de que a adaptação à separação da tela não está fácil foi praticamente unânime entre estudantes que participaram do primeiro fórum de 2025 do projeto A Região em Pauta. O encontro, que abriu o décimo ano da iniciativa, teve como tema Educação e Tecnologia e ocorreu na última segunda-feira, no auditório do Grupo Tribuna, no bairro do Paquetá, em Santos. Uma das pessoas que abordaram o assunto foi Larissa Rodrigues, da vicentina Escola Estadual (EE) Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho. Ela disse que “a proibição tem sido muito desafiadora, porque é algo que está incorporado no nosso dia a dia. A gente usa o celular, basicamente, 24 horas por dia”. Diante dessa “dependência” do smartphone, alguns jovens acabam desrespeitando a legislação. “Está sendo complicado. O pessoal só passou a obedecer depois que os professores pegaram muito no nosso pé”, afirmou Alice Maria de Oliveira, da EE Albino Luiz Caldas, também de São Vicente. Atraso Tal dificuldade não surpreende o médico Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Também presente no palco do fórum, o especialista disse que os alunos estão sofrendo devido ao afastamento da tela. Este fato, de acordo com o médico, é chamado de “dor social”. Por sinal, segundo ele, essa não é a primeira vez que este efeito aparece na sociedade. “Toda vez que a educação não precede a tecnologia, temos essa dor. Na Revolução Industrial, a tecnologia veio muito mais rápido, e nós nos livramos da dependência da força animal e de outras partes de energia, o que acarretou em crianças sendo mutiladas por máquinas de alta periculosidade e jornadas imensas. Isso se deu até que a educação se adiantou”, exemplificou. O médico salientou, também, que, atualmente, “muitas das coisas que colhemos socialmente” se dão pelo fato de a revolução digital não ter sido acompanhada como deveria. “A educação não esteve presente. É por isso que nós temos uma dor. Tudo que vocês estão enxergando das mudanças comportamentais é decorrente da necessidade de a educação se adiantar novamente”.