levantamento revelou que 60% dos brasileiros desenvolveram a doença (Freepik) A lei que determina a restrição ao uso do celular em salas de aula traz, no fim do texto, uma palavra desconhecida para muitos, mas que tem preocupado especialistas, principalmente da área da saúde: nomofobia. Este é o nome dado ao medo de ficar longe do celular e de outras tecnologias digitais. O problema surgiu, justamente, da dependência das telas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A patologia citada já afeta grande parte da população. Um levantamento recente do portal Nomophobia.com, que é dedicado ao tema, revelou que 60% dos brasileiros desenvolveram a doença. Além disso, ainda conforme a pesquisa, 87% admitem ser dependentes dos aparelhos para suas atividades diárias. Ainda, o estudo revelou que parte dos entrevistados dá mais importância ao equipamento do que ao contato com pessoas próximas e também parentes. De acordo com o site mencionado, 29% privilegiam o celular em detrimento de familiares e amigos. A pesquisa ouviu, no total, três mil pessoas nestes países: Brasil, Argentina, Peru, Colômbia, Chile e México. Do contingente de indivíduos arguidos, 758 eram brasileiros. Problema geral Vale destacar que a patologia em questão não é exclusividade da juventude. Embora, conforme o estudo “Nomofobia: um problema emergente do mundo moderno”, do Brazilian Journal of Development (BJD), universitários e adultos jovens sejam “os mais afetados por esta condição”, pessoas de várias idades enfrentam consequências psicológicas provocadas pelo medo de se afastar dos aparelhos. Essa situação é confirmada por uma pesquisa realizado no curso de pós-graduação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela constatou que idosos sofrem ao ficar longe de seus smartphones. Além disso, 72% das pesquisas com crianças descobriram aumento de casos de depressão associado ao uso excessivo de telas somente neste público específico. Nível de ansiedade cresce em crianças e jovens O medo de ficar longe das telas não é o único problema psicológico oriundo do uso excessivo de celulares. A ansiedade é outra consequência. Por sinal, segundo o psicólogo, coordenador de Psicologia da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e doutorando em Saúde Pública Wagner Tedesco, este mal cresceu vertiginosamente nos últimos anos. “Os anos recentes apontaram uma questão séria de um aumento de mais de 1.500% no nível de ansiedade em jovens e adolescentes, exatamente pelo uso do celular”, afirmou. Além de tal declaração, o especialista falou que, segundo estudiosos, boa parte dos jovens não deveria nem mesmo ser exposta aos smartphones e a determinados espaços existentes na internet. Tedesco citou, nominalmente, o livro Geração Ansiosa, do psicólogo americano Jonathan Haidt, como uma obra com indicativos sobre o momento certo de “conectar” os mais novos. “Ele diz que o jovem poderia ter um celular aos 14 anos de idade — antes disso, não. E este aparelho deveria, no máximo, ser telefone e ter SMS (mensagem de texto). Só a partir dos 16 anos seria possível ingressar em uma rede social. Mas, nós vemos no nosso País crianças de 8, 9 e 10 anos se disfarçando para entrar em redes sociais e enfrentar ali todas as mazelas que nós conhecemos”, destacou, citando problemas comuns em plataformas como Instagram e TikTok. “Existe cyberbullying, aproveitadores, pessoas mal-intencionadas… Uma criança ainda não tem preparo neurológico, não se estruturou, não se desenvolveu para enfrentar isso”, asseverou. A Lei Justamente por ser uma condição que afeta pessoas de diferentes faixas etárias, a lei exige das instituições de ensino que cuidem não só de estudantes, mas de outros integrantes do ambiente educacional. O artigo quatro da norma determina que as “redes de ensino e as escolas deverão elaborar estratégias para tratar do tema do sofrimento psíquico”. Neste mesmo trecho, mas no parágrafo dois, fica estabelecido que as escolas são responsáveis por ajudar “estudantes ou funcionários que estejam em sofrimento psíquico e mental decorrentes principalmente do uso imoderado de telas e de nomofobia”.