Com participação de especialistas em saúde e meio ambiente, além de autoridades, fórum A Região em Pauta teve sua quinta edição do ano realizada no Auditório do Grupo Tribuna (Alexsander Ferraz/ AT) Desastres naturais, como as chuvas que causaram as enchentes no Rio Grande do Sul, não são os únicos problemas provocados pelo aquecimento global. Os especialistas também estão preocupados com os riscos para a saúde. As consequências físicas e mentais já são evidenciadas, e a tendência é de piora para as próximas gerações. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A sinal de alerta foi aceso durante o quinto fórum deste ano do projeto A Região em Pauta. O evento ocorreu nesta segunda-feira (24), no Auditório do Grupo Tribuna, em Santos tendo como tema Mudanças Climáticas. O médico Evaldo Stanislau apontou algumas das consequências das altas temperaturas. “Dos anos 1960 para os 2000, a duração e a frequência das ondas de calor aumentaram. Isso acarreta em doenças cardiovasculares, renais, respiratórias, mentais e congênitas”. O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na Baixada Santista e representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil em mudanças climáticas, Ronaldo Christofeletti, destacou os prejuízos para a saúde psicológica daqueles que foram atingidos por eventos extremos. “A mudança do clima impacta na economia, no transporte... Em todos os setores. Se olharmos o Rio Grande do Sul, para as pessoas que sobreviveram, mas perderam todas as suas lembranças, como fotos dos filhos ou do casamento, esse impacto emocional não é possível quantificar em valor. Isso vai ser um problema de saúde público”, disse. Mais problemas Sobre a tragédia que acometeu o povo gaúcho, segundo Pedro Ivo Camarinha, especialista em Geodinâmica/Geologia dos Desastres do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), fenômenos como os ocorridos no Sul devem acontecer mais vezes. “A probabilidade desses eventos está aumentando e não conseguimos frear isso a curto prazo. Ao longo de nossa vida, não veremos redução”. Isso se dá, em parte, por conta dos altos níveis de emissão de poluentes. Por sinal, neste sentido, Stanislau frisou que, “em 2024, batemos o recorde de acumulo de CO2 (gás carbônico), provocando mais calor”. Não à toa, como o médico ressaltou, “a previsão era de que até o ano 2100, aumentássemos 1,5° C, mas, ano passado, batemos 1,3° C a mais do que antes da Revolução Industrial”. Diante deste cenário, o especialista disse que os jovens de hoje sofrerão em futuro próximo. “Quem nasceu em 2020 vai sentir até sete vezes mais o impacto das mudanças climáticas. Somos pais, avós, temos família e temos de cuidar das próximas gerações. Estamos sentido um pouco, mas, para eles, vai virar uma panela de pressão”, considerou Evaldo Stanislau. Nível do mar e praias O aumento do nível do mar coloca em risco um terço das praias paulistas. Parte dos locais que podem sofrer com a erosão costeira está em nossa região. A afirmação foi da pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Ambientais da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Celia Regina de Gouveia Souza. “Sessenta e sete por cento das praias estão nesta condição (erosão costeira). Na Baixada, toda a parte sul tem risco muito alto”. Diante disso, especialistas destacaram que ações, inclusive do poder público, precisam ser adotadas. O subsecretário estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura, Jonatas Trindade, disse que o governo atua na região. “Um dos pontos trabalhados é o monitoramento de mangues para proteção das praias”. Já o secretário de Meio Ambiente de Santos, Marcio Paulo, garantiu que a cidade está pronta para lidar com eventos naturais. “Há dez anos, o município trabalha com plano de mudanças climáticas”. O coordenador do Movimento ODS Santos 2030, Fabio Tatsubô, ressaltou que a sociedade deve estar engajada na busca por soluções. “Ações junto com a sociedade são fundamentais. Temos metas a atingir”. Ele falou, ainda, da necessidade do envolvimento de novas gerações e citou a criação do projeto Jovens Embaixadores do Clima. Uma das integrantes do grupo, chamada Laura Cecatto, de 23 anos, falou “estar inspirada a seguir implementando as ODSs na cidade”. No domingo, A Tribuna publicará um caderno especial sobre o tema.