[[legacy_image_354665]] A travessia de balsas já atingiu os níveis pré-pandêmicos de utilização. Além disso, há previsão de aumento de procura pelo serviço. Mesmo assim, o sistema é deficitário e registra prejuízos há alguns anos. Para resolver problemas históricos, aumentar a eficiência do sistema e agilizar os investimentos necessários, o Governo do Estado foca em uma Parceria Público-Privada, para que a empresa ou consórcio vencedor possa promover as melhorias necessárias em um sistema que continuará existindo mesmo após a conclusão do túnel ligando os municípios de Santos e Guarujá. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A informação é da diretora do Departamento Hidroviário (DH), ligado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Jamille Consulin. Segundo ela, as balsas operam no vermelho por conta de as tarifas não serem reajustadas desde 2018. “Se fosse fazer o cálculo de perda de inflação até 2022, estamos defasados em 30%”, revelou, citando, também, que existe uma “dificuldade com falta de recursos”. Apesar disso, operar o vermelho não é o único problema. Há outros desafios, como a redução da capacidade de transporte, provocada por uma normativa criada pela Capitania dos Portos. “Por segurança, ela restringiu nossa faixa de rolagem. Assim, precisamos aumentar o espaço entre as faixas de rolamento, para garantir uma abertura de portas mais flexível durante a travessia. Perdemos 19% da capacidade do nosso sistema”, salientou. UtilizaçãoE mesmo diante deste quadro, as travessias registram aumento de usuários. Conforme os dados da secretaria da qual o DH faz parte, diariamente, 21.779 carros e motos transitaram entre Santos e Guarujá por meio das balsas. Além disso, utilizaram o serviço 7.548 pedestres e 7.369 ciclistas. “Vemos cada vez mais a demanda pelas balsas crescendo. Há projeção de aumento de 5,7%”, disse Jamille. Mais agilidade, diz diretoraJamille Consulin afirmou que os estudos para que seja firmada uma parceria público-privada (PPP) já estão em andamento. “Vamos lançar a concessão do sistema. O estudo está em modelagem, para que possamos continuar provendo serviço de qualidade, com segurança e investimento, principalmente em infraestrutura. Teremos novas áreas de atracação, embarcações e ações de redução de emissão de carbono”, citou. A especialista acredita que o modelo vai manter um bom nível de serviço, acrescentando a ele a celeridade que o poder público não possui. “O setor privado tem condições de contratação e gestão muito melhores, porque o governo possui amarras para garantir transparência. Isso deixa a temática lenta”. Dizendo enxergar nas travessias potencial de venda, ela entende que uma futura concessão vai permitir uma experiência agradável aos usuários. “Temos contratos que visam performance, para garantir que serviço e satisfação sejam atingidos. É unir o melhor dos dois mundos: o Estado garantindo uma tarifa justa, cobrando o privado, a fim de que entregue o melhor serviço”. Banheiros e bebedourosO presidente da Associação Brasileira de Ciclistas, Jessé Teixeira Félix, reclamou da estrutura disponibilizada para quem trafega pelo sistema de travessias de bicicleta. Ele disse que faltam bebedouros e até banheiros, principalmente na Ponta da Praia, em Santos. Jamille Consulin disse que é possível estudar uma solução para o problema. “Nosso pessoal tem recebido reclamações, vamos avançar. Em Santos, o local não tem estrutura física além da área operacional. Mas, a engenharia pode dar solução para tudo. A gente analisa como fazer e começar a pensar em estratégias juntos”, disse. Apesar de admitir que existe a necessidade de melhorias, a diretora do DH também afirmou que seu departamento sempre procura facilitar a travessia dos ciclistas. “No Ferry Boat, tem duas ou três embarcações exclusivas para bicicletas”. A convidada de A Região em Pauta também destacou que, na Ponta da Praia, não há cobrança para os usuários. “Por ser considerado um pedágio, devido à legislação estadual, não é permitida a cobrança para bicicleta”. FilasO secretário guarujaense de Infraestrutura e Obras, Adilson Luiz de Jesus, abordou um tema recorrente: as filas provocadas pelas balsas. Ele disse que a quantidade de carros que tentam atravessar o canal entre as cidades causa vários impactos na vida dos munícipes. O convidado do fórum afirmou que dialoga com o governo estadual, tentando minimizar o problema. “A balsa tem sido um grande conflito. Para vir a Santos, não se consegue mais fazer uma projeção de meia hora. Você sai com muito mais tempo”, citou, apontando mais transtornos. “O gargalo existe. Dá confusão, briga. Essa fila interfere nas moradias locais e no comércio da Avenida Adhemar de Barros. É constante nossa preocupação e contato com as pessoas do Estado, para diminuir o conflito”, finalizou. Na busca por soluções ou caminhos, uma coisa é certa: acrescentar embarcações, para reduzir o tempo de espera dos veículos motorizados, não é tarefa simples. Quem assegura isto é a diretora do Departamento Hidroviário (DH), ligado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Jamille Consulin. “Em Santos, convivemos com estruturas já consolidadas. Não é tão simples colocar mais balsas, porque temos restrição na área de atracação. Não tem como colocar mais três ou quatro balsas para boiarem no maior canal da América Latina, com 31 navios passando por dia”, explicou.