Wagner Tedesco é psicólogo, coordenador de Psicologia da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e doutorando em Saúde Pública (Sílvio Luiz/ AT) Os novos universitários estão chegando às faculdades com comportamentos depressivos e falta de foco. A origem desses problemas, e também da ansiedade, outra vilã perceptível, é o celular. Essas conclusões são do psicólogo, coordenador de Psicologia da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e doutorando em Saúde Pública Wagner Tedesco. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! As afirmações feitas pelo docente têm por base uma dissertação de mestrado elaborada por ele mesmo entre 2020 e 2022, cujo nome é “Internet, Mídias Sociais e Tecnologias”. O documento ratificou o que o profissional já vinha percebendo nas salas de aula: o uso contínuo e indiscriminado dos smartphones está prejudicando a saúde e o desempenho dos estudantes. “Nos últimos tempos, noto aumento considerável dos aspectos de ansiedade em sala de aula, falta de foco no aprendizado e, consequentemente, alguns pontos ligados à depressão. Você vê o universitário um dia exaltado, no outro, rebaixado. Constata-se uma oscilação muito grande, que afeta o rendimento”, disse o convidado de A Região em Pauta. Professor há 35 anos, Tedesco salientou que esse cenário já era comum anteriormente. No entanto, sua tese acabou confirmando os efeitos dos aparelhos, que mexem com a conduta dos estudantes. “O aluno que acabou de sair do Ensino Médio chega à universidade com todo o padrão, com todo o comportamento de vício na tecnologia, nas telas. Isso eu vinha sentindo na prática em sala de aula, só que o estudo mostrou que, efetivamente, a ansiedade estava instaurada, além de aspectos de depressão muito presentes”, afirmou. Diante disso, como ressaltou o psicólogo, os estudantes não conseguem absorver o que lhes é ministrado, o que impacta todo o rendimento. “As questões motivacionais não trazem o aluno para aquilo que ele buscava em sala de aula”, declarou.