(FreePik) Hoje à noite a seleção brasileira estará em campo. Terá pela frente o vice-lanterna das Eliminatórias, o Chile. Em outros tempos, tal encontro talvez não despertasse maior preocupação, mas esse tempo passou. E como o embate se dará na capital chilena, não foi incomum nas últimas horas dar de cara na crônica esportiva com prognósticos que pedem cautela. Que falam em jogo complicado. E não dá para dizer que sejam comentários descabidos. Mesmo porque, neste momento, o honrado escrete nacional repousa na quinta colocação com o mesmo número de pontos da Venezuela. Mas a Venezuela, atentem, pode até dizer que anda fazendo boa campanha. A ver como se sai hoje diante da Argentina. Tudo depende do ponto de vista. Nos jogos anteriores o Brasil venceu o Equador, que está acima. Mas perdeu para o Paraguai, que está abaixo. Não é de hoje que a seleção vem encolhendo treinadores, se é que me entendem. Dorival que se cuide porque, no popular, essa é uma Data Fifa pra sair da lama. Afinal, depois do vice-lanterna, teremos direito a um encontro com o lanterna Peru, que, a depender dos resultados, poderia sair dessa condição, mas para isso amanhã teria de, pelo menos, vencer o Uruguai. A situação é tão esquisita que, por mais que o torcedor se mostre descontente a cada convocação, é difícil imaginar que os nomes mudem radicalmente. Boa parte dos que já deram a cara deve permanecer, mesmo com idas e vindas, até a próxima Copa do Mundo. E se tem uma coisa muito clara na minha opinião é que a seleção não está dando liga. Há quem diga que não temos jogadores fora de série, não deixa de ser verdade, mas estou convencido de que com o que temos – e com alguma dose de magia – seria possível ir além. Quem sabe até resgatar um quinhão do respeito e da simpatia da nossa maltratada torcida. E por falar no humor da torcida, a do Santos deu outra azedada neste começo de semana. A euforia de um jogo que poderia levar o Peixe de volta à liderança da Série B desaguou em derrota para o Goiás. E já faz tempo, a relação dos torcedores com o treinador santista tem sido uma questão. Carille visivelmente não vem aliviando. A torcida também não. Mas nunca repensar essa relação se fez tão necessário. E urgente. No sábado, quando o Santos voltar à Vila Belmiro para receber o Mirassol, candidatíssimo a uma das vagas, nada será mais sábio do que apoiar o time. E que já preparem os ânimos porque será inocência esperar um time de encher os olhos. No máximo um time fazendo uma apresentação acima da média parece plausível. E Carille, que andou dizendo que o clima que encontra nas ruas é diferente daquele que tem sentido nas arquibancadas, precisa perceber o óbvio: não são os que ficam pela rua que se encarregam de dar o tom no estádio. E que tenha a sensibilidade de perceber que, nessa reta final de campeonato, voltar a não dar as caras em uma coletiva pós-jogo seria algo muito inadequado. Maus exemplos nesse sentido andam fartos por aí. E certas responsabilidades são intransferíveis. É absolutamente compreensível que, do alto de toda experiência que adquiriu, Carille não queira mais engolir sapos ou fazer média. Que se mostre muito seguro a respeito do que pensa e faz. Mas flertar com a antipatia jamais será boa tática. E, além do mais, voltar à elite do futebol brasileiro é algo que parece encaminhado, jamais garantido.