(Divulgação) Ele só tinha uma cara: “Eu acho que tenho só uma cara, mas se eu tivesse várias, certamente todas elas teriam vergonha” foi a resposta de Mário Covas, quando em debate na TV Bandeirantes em 1989, Guilherme Afif lhe perguntou: “Com qual das duas caras você vai se apresentar nessa eleição?” A resposta provocou um silêncio desconcertante. Esse era Mário Covas, falecido há 25 anos (completados no último dia 6). Incontáveis pessoas no mundo como eu, não raro se apercebem esperando uma data perfeita (que talvez nunca chegue) para se manifestar sobre alguém que admira, mas nunca teve oportunidade de o fazer e quando essa oportunidade vem, esse alguém já cumpriu sua missão entre nós e partiu para outro plano. Duas décadas e meia após a morte do ex-governador Mário Covas, me dei conta que o tempo passa rápido demais para deixar para uma data que não sei quando será perfeita, para passar adiante minhas memórias e meu respeito por esse santista, que vi pela primeira vez quando tinha 9 anos ou um pouco mais, e com meu pai fui a um comício com palanque montado entre a Rua Senador Dantas e Avenida Pedro Lessa. Quando aquele homem chamado Mário Covas falava, todos calavam e escutavam com muita atenção. Gostei dele falando e o coloquei, como meu escolhido (à época nem sabia porque ele estava ali, mas a firmeza de sua fala me marcou). Outra vez, ainda na infância o encontrei na Rua Frei Gaspar junto com meu pai, pois a família Covas comprava seus óculos com o seu Pestana (meu pai) da Ótica União. Só o reencontrei pessoalmente anos depois no Santos F.C. (ele, sócio remido e conselheiro emérito e eu diretor financeiro) e depois, em 1999, já Governador reeleito de São Paulo, nas comemorações pelos 140 anos da Beneficência Portuguesa, da qual foi conselheiro. Mario Covas Jr. ingressou no quadro associativo da Beneficência em 26 de julho de 1956 – matrícula 13.747. Para mim, Mário Covas foi e continua sendo um legítimo representantes das três virtudes destacadas pelo sociólogo alemão Max Weber: paixão, sentimento de responsabilidade e senso de proporção. A raridade da junção desses sentimentos é quando a ética e a responsabilidade andam juntas o tempo tudo. Covas, um dos principais líderes do maior movimento popular da história do Brasil: a campanha Diretas Já!, em 1984, vive, não apenas na memória de uma Nação, mas por servir de exemplo às novas gerações e para os que amam a real democracia. *Ademir Pestana. Presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos