(Rovena Rosa/ Agência Brasil) O Brasil enfrenta desafios significativos na manutenção da cobertura vacinal, refletindo uma tendência global de hesitação em relação a essa estratégia de saúde pública. A diminuição na taxa de vacinação pode ser atribuída a múltiplos fatores, incluindo escassez de recursos em certas áreas e dificuldades logísticas para acessar Unidades Básicas de Saúde (UBS). Estes obstáculos por vezes se mostram ainda mais desafiadores em regiões remotas, onde a distribuição de insumos e a infraestrutura de saúde podem não ser ideais para a região. Paralelamente, o crescimento dos movimentos antivacinas e a proliferação de informações falsas sobre os efeitos adversos dos imunizantes desempenham um papel crítico no cenário. Isso ocorre apesar das robustas evidências empíricas que atestam a segurança das vacinas. Destaca-se ainda a situação alarmante do Brasil em relação à poliomielite. O País é apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o segundo com maior risco de retorno da paralisia infantil nas Américas, atrás apenas do Haiti. Essa condição ressalta a urgência de reforçar as estratégias de vacinação, considerando que o Brasil declarou a erradicação da doença na década de 90 e não registra casos desde 1989. No período de 1999 a 2015, o Brasil manteve uma cobertura média de vacinas contra a poliomielite superior à população-alvo dos imunizantes, atingindo 101,2%. No entanto, entre 2016 e 2022, observa-se uma redução preocupante nestes números, especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, onde as médias de cobertura vacinal foram significativamente mais baixas. Em São Vicente, o ano de 2022 registrou apenas 55,4% de cobertura para a primeira dose da vacina contra a poliomielite, a menor taxa em 27 anos. A situação das doses de reforço também é crítica, com somente 49,1% da população-alvo vacinada, a menor taxa em seis anos. Nesse contexto, a Fundação Abrinq implementou o Projeto Vacinação, junto da campanha Vacinar é Proteger, em São Vicente, com o objetivo de mobilizar as administrações municipais, capacitar profissionais de saúde básica e conscientizar a sociedade. A eficácia das políticas públicas de vacinação, tanto no Brasil como um todo quanto no caso específico em São Vicente, está diretamente ligada à confiança da população nos sistemas de saúde e nas vacinas oferecidas. A colaboração entre os setores governamentais, a sociedade civil, os profissionais de saúde e a comunidade é essencial para reforçar a vacinação como um pilar fundamental da saúde preventiva. O engajamento coletivo é a chave para preservar os avanços históricos no controle de doenças e garantir que as futuras gerações não sofram com enfermidades previamente erradicadas. * Victor Graça, superintendente da Fundação Abrinq