Na segunda quarta-feira de agosto, ofereci o chá (Adobe Stock) Mais um encontro. Um encontro de amigas que se repete há mais de 30 anos. Claro, no tempo inexorável, algumas já se foram. Continuamos a fazer o chá das aposentadas, todo mês, sem trégua. O grupo é criativo. Os primeiros encontros, dos quais não fazia parte, pois ainda estava na ativa, eram realizados nas casas das ‘meninas’. Gosto de chamá-las assim, talvez, porque a criança que fui ainda vive em mim. Em julho e dezembro, muitas viajam, mas não arredamos pé. Marcamos o VQQ (vai quem quer), pois envelhecemos, mas não perdemos o bom humor. As que permanecem em Santos participam de um almoço num restaurante agradável, escolhido por Célia Cruz Cadavid, responsável também pela confecção primorosa do calendário de encontros. Um rodízio inteligente permite que as participantes arquem com a despesa total só de dois em dois anos, podendo frequentar os demais chás sem qualquer custo. Isso motiva e possibilita a presença de todas, educadoras com modesta aposentadoria. Quantas novidades nessas horas! Nascimento de netos, bisnetos, casamentos e a constatação de que bengalas, cadeiras de roda e acompanhantes multiplicam-se. No entanto, os olhos recuperam o brilho luminoso, pois a vida é aqui e agora. É emocionante a acolhida, entre abraços e alguma lágrima, que teima em molhar as faces enrugadas. Rostos expressivos marcados pelo cotidiano viver. Na segunda quarta-feira de agosto, ofereci o chá. Escolhi a Casa Porto, lugar iluminado, belo e aconchegante. Nas mesas dispostas em U, vasos delicados com rosinhas alaranjadas e migues somaram-se ao serviço impecável dos funcionários. Salgados e doces dispostos em delicada louça, cafés e sucos especiais incentivaram o bate-papo. Há tempos, a participação de uma convidada, prima de minha mãe, é uma grata surpresa. Durante as fotos, coletivas e individuais, a nossa, abraçadas e sorridentes. E me olhando profundamente, o inesperado:—Você parece a tia Celeste, querida! Foi o melhor elogio em toda a vida. A tia-avó foi minha segunda mãe, cuidando dos sete sobrinhos para ajudar nas tarefas caseiras de nossa genitora, que assim dava aulas de costura e aceitava encomendas de trajes femininos. Tia Celeste reforçou a postura de mamãe — a educação do coração — praticando a jardinagem, a poesia e a arte de contar histórias antes de dormirmos. Trançava os cabelos das meninas e nos banhava nas águas mornas do afeto. Lavando roupas, cantava, enquanto os meninos jogavam bola no quintal. Foi ativista por seu amor pela terra e pelas pessoas. Suas respostas eram sempre afetivas, praticando o amor radical. Assim aprendemos que criticar, reclamar, comparar e controlar não leva a nada. Somos todos diferentes, e a diversidade deve ser apreciada. Amar a todos e conviver com eles. O chá das aposentadas reavivou lembranças. Somente nossa ação está sob nosso controle. O resto cabe ao Universo. Bendita tia Celeste! Benditas amigas! *Regina Alonso. Membro da Academia Santista de Letras, Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios e Academia Itanhaense de Letras