( TV Tribuna ) O impacto das mudanças climáticas lança uma pressão sem precedentes sobre a necessidade de desenvolver e aprimorar o arcabouço da prevenção. É preciso agir rápido, investir e, sobretudo, ter responsabilidade com vidas. O vasto conhecimento científico disponível não pode ser ignorado. Planejamento urbano sustentável e inovação tecnológica são fundamentais neste processo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Dentre os vários efeitos das mudanças climáticas, os relacionados com as águas estão no topo das preocupações. Há amplo entendimento sobre a hidrologia, a dinâmica e o estudo do ciclo da água, o comportamento dos rios, marés, elevação do nível dos oceanos e precipitações. De forma simplista, a fim de demonstrar um princípio cabal, para o arcabouço da prevenção, seria regra primordial de planejamento urbano e de preservação de vidas retirar populações do caminho das águas. Trata-se de mudança de paradigma se considerarmos que cidades inteiras, vilas e povoados foram assentados ao longo do traçado de rios e cursos d’água, para abastecimento, navegação e a pesca. A estratégia vale para horizontes de médio e longo prazo. No curto prazo, ou seja, em emergências, é preciso equacionar e viabilizar o deslocamento de contingentes em situação de risco. Na perspectiva de aumento da frequência das cheias, adotar uma tábua das enchentes faria todo o sentido, a exemplo da tábua das marés. A tecnologia e a inovação podem colaborar por meio da instalação de equipamentos IoT (internet das coisas) com sensores em áreas vulneráveis, informando em tempo real o nível das águas, a velocidade da elevação e de deslocamento das massas líquidas. Para complementar a eficácia de dados de satélites, drones podem operar com sensores especialmente desenvolvidos para detecção de chuvas intensas. Inteligência artificial e Big Datas devem ser empregados em sistemas de alerta precoce. As novas tecnologias, com velocidade e a capacidade para trabalhar com grandes volumes de dados, podem prever eventos extremos e auxiliar no planejamento de respostas adequadas. Dados de pluviometria, altitude, relevo, direção e velocidade das correntes, áreas propensas a alagamentos com necessidade de evacuação, quantitativos populacionais, rotas de fuga, infraestrutura de resgate e abrigos devem estar numa mesma plataforma, capaz de oferecer informações e cenários com precisão. Grande parte deste arcabouço, integrado ou não, já existe. No entanto, alertas ainda são ignorados. A inovação deve trazer confiabilidade e consistirá na adoção de novos parâmetros para a gestão de dados, que deve funcionar em sistema de governança. A valorização do conhecimento científico e a inovação tecnológica são vitais em projetos para a prevenção aos efeitos das mudanças climáticas. Soluções requerem colaboração entre governos, sociedade e a comunidade científica, com abordagens técnicas, políticas públicas e controle social. É preciso construir um futuro mais resiliente e seguro para nossas cidades. *Ricardo Freitas. Especialista em inovação e tecnologia com formação e XBA pela Hebrew University Jerusalém