(Canva IA) A prática da intolerância não é um elemento da nossa época. Ela vem desde a mais primitiva coexistência humana e, na época da chamada “colonização”, manifestava-se como práticas de perseguições e violências, exercidas pelos que se achavam superiores a quem pretendesse reprimir, escravizar e até aniquilar. Impérios poderosos da Antiguidade e da Idade Média impunham sobre outros povos a sua cultura, porque se julgavam demais superiores. Ainda na Idade Média, a Igreja perseguiu e puniu quem professava crenças diferentes dos seus preceitos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em várias partes do mundo, a intolerância mostra-se, ainda hoje, bastante evidente. Quantidade expressiva de pessoas tem migrado de seus países de origem devido a conflitos, também por extrema instabilidade na economia dominada por poucos e, até, por perseguições de ordem ideológica. As redes sociais têm contribuído para que práticas de intolerância estejam em evidência. Já está habitual o desrespeito às diferenças de posturas e de opiniões entre pessoas ditas como racionais, que pretendem, muitas vezes, fazer valer apenas o seu ponto de vista, em detrimento do que outros pensam e defendem. A velocidade com que as informações circulam e são vistas por milhares de pessoas, levam mais ao distanciamento do que à aproximação. O individualismo gerado pela intolerância faz com que os seres humanos não utilizem a prática da discussão civilizada e harmoniosa. E as agressões verbais, ou até mesmo físicas, sejam elas mais leves ou até fatais, tornam os comportamentos dos “racionais” inadequados, bem distantes do que se poderia desejar em pleno Século 21, repleto de facilidades para a prática da boa convivência. Pessoas preferem explicitar seus pensamentos nas redes sociais porque ficariam “constrangidas” de o fazer pessoalmente. Afinal, em tese, manifestar-se por meio da mídia pode “proteger quem diz”, pensam os mais simplistas. E as redes sociais não revelam todas as variantes dos conteúdos publicados. Há uma “pasteurização” e até distorções de ideias que podem nos levar ao desconhecimento das reais opiniões divergentes. Não há mais respeito às diferenças, sequer práticas de discussões saudáveis de pensamentos distintos que, nas suas essências, fossem eles mais proferidos de maneira civilizada, poderiam até ter muito em comum no pensar diferente. Então, quero ressaltar a necessidade da tolerância, prática fundamental para quem vive em sociedade. Uma pessoa tolerante não é apenas aquela que suporta a outra, mas sim a que aceita opiniões e comportamentos diferentes dos seus e tem capacidade para perceber os denominadores comuns, intrínsecos em pensamentos dessemelhantes. Como educador, entendo que, trabalhar e debater saudavelmente as diferenças levará ao enriquecimento do pensamento crítico construtivo, formado a partir de boas discussões e reflexões, que possibilitará construir uma visão mais completa e saudável, voltada à redefinição das práticas sociais visando o bem estar de todos, independentemente das diferenças físicas, raciais, econômicas, de gênero e outras que tão bem definem cada cidadão pleno em direitos e compromissos. *Maurilio Tadeu de Campos. Professor, escritor presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro da Academia Santista de Letras