(Vanessa Rodrigues/ AT) A eleição para prefeito em Santos confirmou vários padrões. O primeiro deles diz respeito ao fato de que os candidatos que vencem o 1º turno confirmam o resultado no 2º turno. Entre 2000 e 2016, 198 das 265 eleições municipais no Brasil (74,7%) no segundo turno foram vencidas por quem terminou o primeiro turno à frente. Em 2024, esse padrão se confirmou exatamente no País: em 51 disputas, só aconteceram 13 viradas no 2º turno. Ou seja, 75% de confirmação dos resultados do 1º turno. Na região, Santos e Guarujá foram exemplo disso. Outro ponto importante é o aumento das abstenções. Isso, porém, não é novidade. Historicamente sempre foi assim; no 2º turno votam menos eleitores do que no 1º turno no Brasil. Os números em Santos foram, entretanto, acima da média: o crescimento da abstenção foi de 4,48%. Em números absolutos, 15.825 eleitores que votaram no 1º turno não compareceram às urnas no dia 27 de outubro, no 2º turno. Comparando a votação dos dois candidatos, Rogério Santos e Rosana Valle, nota-se que o atual prefeito cresceu 10,08% em relação à votação no 1º turno (mais 17.064 votos), enquanto Rosana avançou apenas 3,98% (mais 3.593 votos). Admitindo que os eleitores que votaram neles no 1º turno confirmaram o mesmo voto no 2º turno, como as pesquisas mostravam, é notório que os eleitores de Telma de Souza foram decisivos, ao migrar em muito maior número para Rogério. No entanto, a candidata petista teve 31.423 votos no 1º turno. Nem todos os seus votos foram, portanto, para os dois postulantes no 2º turno. Como os votos brancos e nulos diminuíram (de 6,27% para 5,21%), é bastante plausível que boa parte dos eleitores de Telma não foi às urnas no 2º turno. Não houve alteração no resultado, mas, se isso for verdade, mantido o padrão de transferência e com menor abstenção dos eleitores de Telma de Souza, Rogério poderia ter tido vantagem ainda maior sobre Rosana Valle. O terceiro ponto a destacar é que as eleições municipais se resolvem no âmbito local. Se um candidato concorre à reeleição, como foi em Santos, conta muito a avaliação do atual prefeito, o que certamente pesou a favor de Rogério, com 60% a 65% de aprovação dos eleitores. A influência de padrinhos externos é reduzida, e esse foi o grande erro estratégico de Rosana Valle ao trazer, de modo exagerado, o presidente Jair Bolsonaro e sua esposa Michelle para a campanha. Bastaria ter tido o apoio dele, sem alarde, para angariar os votos (expressivos) da direita e da extrema direita. A leitura (errada) foi que Santos é uma cidade bolsonarista. Com o apoio do ex-presidente a eleição estaria decidida, deixando de considerar a parcela (também expressiva) que o rejeita. Comparar a eleição de 2022 (Lula x Bolsonaro) com a atual não se sustenta. Em Santos, Bolsonaro venceu há dois anos, mas em grande parte pela rejeição a Lula e não pela preferência exclusiva pelo ex-presidente. E Rogério Santos, definitivamente, não é Lula. O tom mais agressivo de sua campanha também não foi o ideal: tivesse ela insistido mais em sua imagem positiva de deputada considerada atuante pelos eleitores, na renovação que seu nome representava, combinada com uma nova visão para a cidade (e não só de críticas à atual administração), seu resultado poderia ter sido muito melhor. *Alcindo Gonçalves. Engenheiro, cientista político, professor da Universidade Católica de Santos e responsável pela metodologia e RI do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT)