(Gustavo Mansur/Palácio Piratini) Acostumado a ver a sua economia impactada por desastres naturais em outros países, como a China, cujo papel é vital na cadeia global de suprimentos, o Brasil experimentou um evento climático de grandes proporções com reflexos em sua produção agrícola e industrial, nos transportes e no crescimento nacional. A tragédia no Rio Grande do Sul evidenciou o grave problema de infraestrutura logística do País. No caso das rodovias, no auge da crise, o estado chegou a registrar mais de 400 pontos de bloqueio parcial ou total, em mais de 13 mil estradas estaduais e federais. Hoje, três meses após as enchentes, 76% dos pontos já foram liberados, segundo a Secretaria de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, embora ainda haja desafios a serem enfrentados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No setor portuário, por exemplo, o acúmulo de detritos e sedimentos carregados pelas águas provocou a redução do calado do Porto de Rio Grande, que desde junho perdeu cerca de dois metros de profundidade. O assoreamento do canal vem obrigando as embarcações de maior porte a um desvio de rota para outros portos, que também enfrentam problemas que se arrastam há anos. Quando a mercadoria precisa percorrer 2 mil quilômetros de caminhão até encontrar um porto com disponibilidade de exportação, isso encarece os produtos do Brasil no exterior e também faz com que os brasileiros paguem mais caro pelos itens importados que consomem. Sem falar nas dificuldades de acesso terrestre que expõem outro gargalo logístico do Brasil: a dependência excessiva do transporte rodoviário. Muitas vezes precárias, as rodovias brasileiras não são suficientes para suportar o volume de carga que precisa ser transportada, principalmente, do interior. Imagens de caminhões bloqueados em estradas lamacentas só porque choveu um pouco mais são recorrentes e representam um custo que, no final, vai ser pago pelos mesmos: exportadores e consumidores brasileiros. Investimentos em manutenção e construção de novas rodovias são essenciais para garantir um transporte mais seguro e eficiente. Outra alternativa é ampliar a malha ferroviária, que tem potencial enorme de mover grandes volumes de carga a longas distâncias de forma mais econômica e sustentável, e hoje é subutilizada. Projetos como os da Ferrovia Norte-Sul e da Ferrogrão são bons exemplos de iniciativas que podem transformar a logística no País e que devem ser multiplicadas. O Brasil é um país de dimensões continentais que precisa de um sistema de transporte multimodal bem integrado para maximizar a sua eficiência logística, com rodovias, ferrovias, hidrovias e portos funcionando em sinergia. A criação de corredores logísticos que conectem os diferentes modos de transporte pode reduzir significativamente os custos e o tempo de movimentação da carga. Além disso, o desenvolvimento de centros de distribuição próximos a esses corredores facilitaria o escoamento e o armazenamento das mercadorias. É urgente investir em modernização e ampliação dos portos, melhoria das rodovias e ferrovias e na integração multimodal para eliminar os gargalos existentes e impedir que outros surjam no futuro. Ao enfrentar esses desafios, o Brasil melhora a sua competitividade global, promove o desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo, e assegura um futuro mais próspero para o País. *Luís Marques. CEO Brasil e Argentina da empresa DB Schenker