(Reprodução) Prestes a completar décadas de formados, assistimos a uma queda da qualidade da Medicina, presumivelmente sem volta. A farsa desenfreada por exames e imagens – em sua maioria “dentro da normalidade” – nos leva a observações e questionamentos importantes. Diagnósticos de inflamações de abdômen exigem a mão do médico observador, já treinado por um sênior. Pareados no raciocínio clínico, fazem diagnósticos sindrômico, topográfico, funcional, etiológico, por imagens e patológico - este último, se for o caso. Tudo isso vem à cabeça do médico atendente, que poderá ser orientado pelo mais velho, experiente e já calejado pelo tempo de ofício. Ofício esse difícil, árido, árduo, exaustivo e pouco reconhecido. Máquinas, computadores, inteligência artificial (IA) e robôs erram e erraram muito. Sabem por quê? Porque não substituem o vínculo médico-paciente. Então, jovens, educadores médicos e gestores públicos sem prática e/ou conhecimento propedêutico: saiam de seus gabinetes, passem visita com seus clínicos, deem ouvidos às suas falas, participem dos ambulatórios e enfermarias, sejam cúmplices dessa tarefa difícil e humanizada. O Sistema Único de Saúde (SUS) é robusto, forte e, ao mesmo tempo, uma máquina complexa, onde graus de atendimento, primário, secundário e terciário tentam garantir a 70% de brasileiros uma condição mínima de saúde. A participação dos munícipes nas reuniões que antecedem os encontros municipais alavancam novos rumos da saúde local e capilaridade aos encontros estaduais, fazendo brotar novas regras ao nosso grande SUS. Um bom atendimento aos pacientes da rede pública desde a abordagem na entrada, seja na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), seguida de acolhimento pela enfermagem, consulta com médicos bem treinados, amáveis, seguros e firmes - e não gélidos nem indiferentes - farão nossa saúde melhorar expressamente. Até porque a rede particular contempla 30% dos brasileiros, enquanto o SUS garante atendimento para toda a população. *Bruno Pompeu Marques. Médico clínico do Hospital Guilherme Álvaro (HGA) *Mônica Mazurano. Médica cirurgiã e diretora técnica do Hospital Guilherme Álvaro (HGA)