[[legacy_image_347781]] Procura-se uma nora igual a minha. Não faça isto porque não vai encontrar. Não desista, podem encontrar parecida! Vou contar algumas delicadezas que ela faz comigo. Todos os sábados eu vou passar o fim de semana em sua casa. Odeio arrumar a cama. Após o café, chego no quarto e minha cama já esta arrumada. Milagre! Quem será que arrumou? Foi “minha única”, como dizem os turcos nas suas séries, quando se referem a alguém muito especial. Minha neta diz que eu sou visionária por ter gostado muito da escolha do meu pai. Chegamos de uma viajem e Ricardo estava no aeroporto com ela. Eu já a conhecia, pois a mesma havia estado no meu apartamento. Falei ao meu marido: Domingos, esta é a mulher certa para o Ricardo: jogue o “tapete vermelho”para ela. Nati, minha neta, fui mesmo uma visionária, não me enganei. Antes de ir dormir, passa no quarto em que eu estou e deixa um copo d’agua para eu tomar meus remédios. No quarto em que eu ocupo havia uma televisão muito antiga, que não pegava meus canais preferidos para assistir as séries turcas, pelas quais eu sou apaixonada. Eu reclamava muito. De repente, aparece no meu telefone uma foto dela e do meu filho segurando uma caixa bem grande. Não desconfiei de nada. No sábado, quando entrei no quarto, vejo aquela maravilha de televisor, eu saí gritando e pulando de alegria. Agora vou contar a história do anel. Havia uma senhora que vendia joias nas casas. Gostei muito de um anel e pedi ao meu marido que me presenteasse com ele, pois logo faríamos 40 anos de casados. Disse a ele o preço e o mesmo respondeu: “Quero que ela baixe este preço, pois estou pagando à vista, caso contrario não compro”. Não consegui negociação. Contei a história para a minha nora. Que fez ela? Ligou para minha filha Carla, que mora fora de Santos, contou a história e propôs a ela a divisão da quantia da diferença. Quando fui almoçar, o anel estava no meu prato. Fiquei sabendo de tudo isso muito depois. Hoje, o anel ja está em sua mão. Houve uma ocasião em que eu estava muito doente, com uma depressão muito forte, e meu marido estava acamado. Resolvemos mudar para um apartamento menor. Ela fez a mudança sozinha, sem eu participar de nada, foi auxiliada por duas funcionárias minhas. Pendurou até os quadros, colocou a roupa no lugar, determinou tudo na cozinha e colocação de móveis. Foi uma surpresa para mim, porque além tudo, ela tem bom gosto. É por isso que só posso chamá-la “de minha única”. Há muitos anos, saiu uma reportagem no suplemento A Tribuninha. A repórter foi lá em casa e até nos fotografou. A nossa peculiaridade era: uma sogra e nora com uma conta conjunta, e a nora carregava a foto da sogra na carteira. Esta conta existe até hoje. Ela paga todas as minhas contas, administra meus bens e ignoro os preços atuais: isto é ótimo. Quando fiz 80 anos, havia saído do hospital há uma semana. Ela sabe que gosto muito de festas de aniversário, organizou com muito bom gosto o salão de festa do prédio onde ela mora, com bolas de gás com meu nome e o número 80. Nora querida, você é especial, leva sozinha o escritório imobiliário que o sogro te deixou, cuida da sua mãe, da sogra, dos filhos, do marido, dos cunhados e cunhadas, pois dá atenção a todos. A sogra é aquela que gerou o homem que ela ama e a faz feliz. O amor tambem é uma troca. Dar e receber é tão simples! Ia terminar aqui, mas o interfone tocou. Está chegando uma air fryer que eu tanto queria...liguei para ela agradecendo e a mesma me disse: presente pro ano inteiro. Esta crônica, no Dia da Nora, é um tributo a Mart, uma nora muito especial, “minha única”.